janeiro 17th, 2011

Tempo Perdido

Por Rosalva Rocha – 10/11/2010

Hoje num silêncio manso
Conseguí enxergar a luz que existe em mim
Uma doçura que eu havia esquecido
Num tempo perdido
Que nem sei para onde  foi
De tão pouco expressivo

E foi nesse silêncio manso
Que pensei em mim
Nos trilhos pelos quais já passei
Sem que os trens tenham atropelado
Meus sonhos
Meus projetos
E tudo o que sempre pensei

O tempo perdido
Foi morto, deposto
Não faz mais parte de mim

Simplesmente tirei-o da minha vida
Como escama que sai aos poucos
E deixa a carne livre, solta
Tal qual ave que voa
E não se assombra com os temporais
Porque  os considera normais

Meu rosto ainda é o mesmo
Tem expressão
Fala com o olhar
E do olhar diz tudo
Tudo o que é preciso falar
E nem sempre possível de expressar

O tempo perdido
Até me fez bem
Tirou-me enganos, profanos
E fez de mim uma
Alma nova
Que passa a viver outros desenganos
E com eles se renova

 

One Response to “Tempo Perdido”

  1. [...] Cultural em Parceria com a Academia de Letras e Artes de Porto Alegre. O poema premiado, Tempo perdido, foi publicado no site da AELN em novembro de 2010. O autor do projeto do concurso é o escritor [...]