fev 25, 2010 - Crônicas    No Comments

A queda do Jacarandá

A queda do Jacarandá

Por Artur Pereira dos Santos

Velavam-te os pássaros que de ti dependiam.
Os homens, embora descansassem em tua sombra, traziam seus cães para urinarem no tronco, enquanto tropeçavam em tuas raízes, ignorando o tapete de flores que o vento estendera na primavera.
O peso dos ramos, contendo ervas demais para a sobrevivência de uns poucos sabiás citadinos, anunciava a tua queda, prematura para tua espécie.
O tempo, muito tempo, não foi suficiente para alertar as autoridades sobre a necessidade de cuidados.
A poda que te daria viço chegou atrasada. Podaram antes tuas raízes.
Bastou um vento mais forte, a chuva erodir o chão, onde um dia alguém te plantou, e a morte foi decretada.
Quem te abreviou a vida e um dia descansou em tua sombra será acusado de tua morte.
Quem, por ofício, devia cuidar de ti, continuará chegando atrasado.
Quem velava por ti encontrará outros ramos para deitar seu ninho.
Teu tronco se transformará na poluição que combateste.
Enquanto isso, o ar, que querias tornar puro, foi insuficiente no pulmão do homem que se dirigia ao altar.

fev 23, 2010 - Últimas Notícias    No Comments

AELN na posse do Secretário de Cultura de SAP

Rosalva Rocha, Vice-Tesoureira da AELN, a convite do Vice-Presidente do IHG – Instituto Histórico e Geográfico de Santo Antônio da Patrulha, Sr. Renato José Lopes e sua esposa, Luiza Brufatto, participou da posse do novo Secretário de Cultura da cidade, o radialista e poeta Odilon Ramos. Tal participação se deu em função da gentileza do convite e, sobretudo, da confiança que a AELN deposita no novo Secretário, já que é uma pessoa do meio cultural e, pela manifestação do mesmo, terá a tarefa de aglutinar as diversas entidades culturais patrulhenses em torno da Secretaria de Cultura.

 

 

fev 9, 2010 - Últimas Notícias    No Comments

AELN na 6.ª Feira do Livro de Imbé

AELN presente na 6.ª Feira do Livro de Imbé – 2010

Por Leda Saraiva Soares

Sábado, dia 6 de fevereiro, a Academia de Escritores do Litoral Norte marcou sua presença na Feira do Livro de Imbé, na Praça do Chafariz, Av. Rio Grande, à margem do rio Tramandaí, onde nasceu o Município.

Escritores presentes: Presidente Delalves Costa, Secretária Almeri Espíndola de Souza, Rosalva Rocha, Evanise Bossle e Leda Saraiva Soares.

A Diretora de Cultura, Prof.ª Sirley Quadros, a Diretora da Biblioteca Municipal Eng.º José Baptista Pereira e a funcionária da Biblioteca, Srª. Magali – esta, caracterizada de bruxa – recepcionaram carinhosamente os escritores da AELN, obsequiando-os com um coquetel.

Lançaram livros, nessa noite, além da AELN, os escritores Antonio Jorge Rettenmaier, Ligia Lacerda e Luiz Oderich.

A noite brindou a todos com um clima especial. O vento nordeste, tão peculiar ao litoral, deu lugar à brisa, quase imperceptível, que veio do rio trazendo consigo as lendas, as tradições de um povo e as passagens históricas, para bisbilhotar e passear pela Feira.

Quem sabe não estaríamos sobre o terreno em que esteve estabelecida a Guarda de Registro em 1738-40?

Do interior da Feira, vislumbra-se uma paisagem ímpar. Edifícios e casas iluminados e as miniplataformas de pesca refletem-se nas águas espelhadas do rio que corre sob a ponte Giuseppe Garibaldi e embeleza o dois Municípios Tramandaí e Imbé, transformando-se em cartão-postal.

fev 9, 2010 - Poemas    No Comments

O Lamento de Maria

O Lamento de Maria

Por Rosalva Rocha – 8.2.2010

Abram caminho para Maria
Ela precisa passar
Precisa se isolar
Precisa desabafar para si mesma
As angústias no seu caminhar

 Maria está cansada, isolada, frustrada
Por não ter percebido
Que a vida tem armadilhas
Que a fizeram sofrer
Em um momento perdido

Deixem a pobre em paz
Ela precisa pensar
No tempo que se perdeu
Trabalhando constantemente
Em busca do bem-estar seu 

Não gritem com Maria
Ela já não escuta, não confia
Não faz planos
Só pensa nos desenganos
Que a vida lhe deu 

Passem energia para Maria
Ela vive um momento de dor
De desamor, ela vai se levantar
E junto com vocês cantar e dançar sem pudor
Mas, por favor, deixem Maria em Paz!
Ela se renovará muito em breve
E retornará com muito mais vigor
Que sabe até com um novo amor…

fev 3, 2010 - Contos    1 Comment

A estrada

A ESTRADA

Por Artur Pereira dos Santos

O reflexo do sol nos olhos interrompeu o mais longo pensamentos que teve nos últimos anos.
Baixou o pára-sol do carona até uma posição em que apenas os raios que tingiam de vermelho as nuvens mais baixas eram vistos e tentou retomar a concentração.
Maldito Sol, pensou. – Onde estava mesmo? Igualdade? Liberdade?. Lembrou, era esta a palavra que gravara por último na memória. Era de liberdade o último pensamento interrompido.
Para ele esta palavra sempre tivera um significado expressivo. Era a que mais marcava sua memória nos principais momentos.
Mas havia mais coisa naquilo que conseguira juntar enquanto seus olhos se fixavam, ora no asfalto esburacado, ora nas margens desiguais da estrada, nunca coincidentes com a paisagem que conhecia
Pensou que talvez tivesse sonhado. Mas não, as lembranças eram reais demais Nos sonhos são desbotadas.
Num gesto automático, acariciou a barba por fazer, como se quisesse amenizar o princípio de irritação que começava a sentir. Acalma-te hombre, pensou consigo mesmo. Nem tudo está perdido.
Afinal, uma nova vida irá começar em teu novo destino.

jan 28, 2010 - Crônicas    No Comments

Corujas buraqueiras II

Corujas buraqueiras II

 Por Artur Pereira dos Santos

As corujinhas voltaram….E eu também voltei…..
– Espera aí, tem algo errado nestes versos. Não eram as andorinhas?.
– Eram, Zóia, mas nesse caso somos nós mesmos que estamos novamente em evidência: querem construir uma estátua para nós.
– Ora, Zoio isto é coisa de alguém que não percebeu que estátuas irão chamar a atenção e restringir ainda mais nossa liberdade.
– É verdade. Que saudades do anonimato: Do tempo em que só o nosso amigo Joãozinho passava por aqui para armar o foguetório, e ainda pedia licença, lembra?
Foi-se o tempo em que nossos domínios eram respeitados naturalmente e tínhamos o privilégio de uma vez por ano assistir de camarote o espocar dos foguetes.
E nossos filhos, será que terão que limitar-se a morar em nossas tocas durante toda a vida para serem vistos pelos curiosos?
Segundo soube, querem construir a tal de estátua bem pertinho daqui, certamente para nos verem entre estas fitas demarcatórias horrorosas.
E estas placas então! Que passaram a fazer parte de nossas vidas desde aquele final de ano. Sabes o que elas querem dizer, Zóia? – Eu não sei. Parece que foi proposital a colocação delas. Imagina! Nós que somos símbolos da sabedoria, temos que suportá-las sem saber o que está escrito. Suprema humilhação!
– Você lembra, Zóia? Aquele monumento que ainda hoje está ali? Aquele sim, nossos pais nos ensinaram que nos representava com dignidade. Tinha um movimento de olhar de 360 graus, como nós, e servia para guiar quem estivesse em alto mar, mas somente em alto mar, nunca se aproximavam e nem espantavam ninguém.
Meu pai contava que diariamente um velhinho esguio, que tinha um filho deputado, subia até o topo e abanava para ele e minha mãe. Tinham um orgulho danado disso. Ele só não gostava daquele homem que, uma vez por ano, trazia um montão de papéis para queimar ao lado do monumento. Nesse dia eles ficavam virados para o mar, por causa da fumaça nos olhos. Você sabe! Olho de coruja é uma preciosidade, Acho que o homem conscientizou-se disso e parou de queimar papéis ali, acrescentava meu velho.
Soube também das desculpas para construção de outro monumento e a desativação deste: muitas luzes. Muitas luzes e quem estiver em alto mar irá se confundir, diziam. Com coisa que a altura destes monstrengos que nos sombreiam ao cair da tarde e os que estão sendo construídos ao longo de nossos domínios, não emitem luzes suficientes para causar confusão também com o outro monumento. Às vezes me dá vontade mudar de buraco e ser solidário com ele, como foram nossos pais com este aqui.
E querem reproduzir nossa imagem em outros locais sabia, Zóia?
Não, não sabia e nem acho que seja uma boa. Tu achas que eles irão nos reproduzir com a fidelidade que merecemos, inclusive com os movimentos de cabeça que só nós sabemos fazer? Sem falar na originalidade das cores de nossas penas! Irão distorcer nossa imagem, isso sim!
Esses humanos! Veja o exemplo daquela estátua na pracinha. Não aquela do centro. Aquela mais nova, que tem a estátua daquele senhor bonachão que morava perto daqui e que visitávamos com freqüência antes de virarmos “celebridades”, como dizem eles, tentando nos seduzir com palavras bonitas. Pois coitado, nem os óculos possui mais.
Zóia! às vezes fico pensando sobre esse tal de progresso. Esse, que aquele pessoal dos flashes falam enquanto nos dão um empurrãozinho para nossas moradas quando chegam muito perto e sentimos medo. Acho que ele deveria vir acompanhado de tantas outras coisas mais importantes e necessárias que uma estátua. Afinal, o que vamos fazer com ela? Concentrar nossos olhares em sua direção para contar os curiosos?
Garanto que os nossos vizinhos barulhentos, que só descobrimos seus ninhos por sabermos torcer a cabeça para todos os lados sem movimentar o corpo, também não estão de acordo.Ouço falarem entre si que não toleram a presença humana. Já viste algum deixar que um humano se aproxime dele ou de seu ninho?

jan 25, 2010 - Últimas Notícias    No Comments

AELN na Feira de Tramandaí

Por Leda Saraiva Soares

Dia 22, às 21 horas, aconteceu a abertura solene da 9ª Feira do Livro de Tramandaí. O Patrono, Antônio Fagundes compareceu, devidamente pilchado, acompanhado de sua esposa e familiares. Presentes à cerimônia de abertura: Exmo.Sr. Prefeito Municipal, Prof. Anderson Hoffmeister e sua esposa, Presidente do Legislativo de Tramandaí, Sr, Luiz Moti, Secretária de Educação, Profa. Alvanira Gamba, Diretor de Cultura Adriano Lima, Diretora da Biblioteca Pública Municipal, Profa. Dagma Wender, Diretora de Cultura do Município de Imbé Siley Quadros, escritores de Tramandaí: Ulda Melo e Solange Barbosa, escritores, membros da Academia de Escritores do Litoral Norte: Evanise Bossler e Leda Saraiva Soares, autoridades do Município de Imbé, população residente e veranistas. O ambiente da Feira do livro ficou muito especial: acolhedor, espaçoso e seguro. Paralelamente à venda de livros e lançamento de obras, há atividades culturais interessantes que constam na programação da Feira. Dia 30, sábado a Academia de Escriotres do Litoral Norte estará lançando a sua Antologia na 9ª Feira do livro de Tramandaí.

Veja as fotos abaixo.

jan 19, 2010 - Poemas    2 Comments

Pegadas na areia

Pegadas na areia

Por Artur Pereira dos Santos
 
As pegadas que deixei na areia
mostraram quão frágeis
e pouco duradouras
foram as lembranças
daqueles que caminharam
em sentido contrário ao meu.
O vento que soprou sobre elas
logo extinguiu as marcas  que  deixamos.
Na senda do tempo que seguimos,
as marcas que hoje nem mais vimos,
são os passos que perdi e que perderam,
deixados em meu caminho
e deixados nos caminhos seus.

jan 13, 2010 - Poemas    1 Comment

O Recomeço

O Recomeço

Por Rosalva Rocha
11/01/2010

Novo ano,
Vida nova,
Esperanças renovadas,
Novos projetos e, especialmente,
Busca de equilíbrio.
Equilíbrio para suportar a dor,
Gozar o amor,
Transpor obstáculos,
Mudar, girar, contornar e, quem sabe, até flanar…
Equilíbrio para saber esperar as respostas que não virão,
As esperanças que não se concretizarão,
E a alegria demasiada pelas conquistas que não estarão previstas.
Equilíbrio para continuar acreditando que há muito por fazer,
Há muito por crer,
Há muito por crescer.

Chegou o tempo da virada,
Da grande virada, onde a doação
Será a tônica neste ano que se inicia.
Preciso retribuir ao mundo o que ele
Me proporcionou até aqui.
Certamente, se isto acontecer, 2010 valerá a pena!

jan 8, 2010 - Poemas    No Comments

Histórias

Histórias

Por Evanise Gonçalves Bossle

Escrevi histórias em rascunhos
e esqueci…
Mas depois de muito tempo
encontrei-as novamente.
Já não são somente histórias,
são pedaços de minha alma,
são janelas de meu mundo,
meu passado, meu presente
e meu futuro.

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