jan 28, 2010 - Crônicas    No Comments

Corujas buraqueiras II

Corujas buraqueiras II

 Por Artur Pereira dos Santos

As corujinhas voltaram….E eu também voltei…..
– Espera aí, tem algo errado nestes versos. Não eram as andorinhas?.
– Eram, Zóia, mas nesse caso somos nós mesmos que estamos novamente em evidência: querem construir uma estátua para nós.
– Ora, Zoio isto é coisa de alguém que não percebeu que estátuas irão chamar a atenção e restringir ainda mais nossa liberdade.
– É verdade. Que saudades do anonimato: Do tempo em que só o nosso amigo Joãozinho passava por aqui para armar o foguetório, e ainda pedia licença, lembra?
Foi-se o tempo em que nossos domínios eram respeitados naturalmente e tínhamos o privilégio de uma vez por ano assistir de camarote o espocar dos foguetes.
E nossos filhos, será que terão que limitar-se a morar em nossas tocas durante toda a vida para serem vistos pelos curiosos?
Segundo soube, querem construir a tal de estátua bem pertinho daqui, certamente para nos verem entre estas fitas demarcatórias horrorosas.
E estas placas então! Que passaram a fazer parte de nossas vidas desde aquele final de ano. Sabes o que elas querem dizer, Zóia? – Eu não sei. Parece que foi proposital a colocação delas. Imagina! Nós que somos símbolos da sabedoria, temos que suportá-las sem saber o que está escrito. Suprema humilhação!
– Você lembra, Zóia? Aquele monumento que ainda hoje está ali? Aquele sim, nossos pais nos ensinaram que nos representava com dignidade. Tinha um movimento de olhar de 360 graus, como nós, e servia para guiar quem estivesse em alto mar, mas somente em alto mar, nunca se aproximavam e nem espantavam ninguém.
Meu pai contava que diariamente um velhinho esguio, que tinha um filho deputado, subia até o topo e abanava para ele e minha mãe. Tinham um orgulho danado disso. Ele só não gostava daquele homem que, uma vez por ano, trazia um montão de papéis para queimar ao lado do monumento. Nesse dia eles ficavam virados para o mar, por causa da fumaça nos olhos. Você sabe! Olho de coruja é uma preciosidade, Acho que o homem conscientizou-se disso e parou de queimar papéis ali, acrescentava meu velho.
Soube também das desculpas para construção de outro monumento e a desativação deste: muitas luzes. Muitas luzes e quem estiver em alto mar irá se confundir, diziam. Com coisa que a altura destes monstrengos que nos sombreiam ao cair da tarde e os que estão sendo construídos ao longo de nossos domínios, não emitem luzes suficientes para causar confusão também com o outro monumento. Às vezes me dá vontade mudar de buraco e ser solidário com ele, como foram nossos pais com este aqui.
E querem reproduzir nossa imagem em outros locais sabia, Zóia?
Não, não sabia e nem acho que seja uma boa. Tu achas que eles irão nos reproduzir com a fidelidade que merecemos, inclusive com os movimentos de cabeça que só nós sabemos fazer? Sem falar na originalidade das cores de nossas penas! Irão distorcer nossa imagem, isso sim!
Esses humanos! Veja o exemplo daquela estátua na pracinha. Não aquela do centro. Aquela mais nova, que tem a estátua daquele senhor bonachão que morava perto daqui e que visitávamos com freqüência antes de virarmos “celebridades”, como dizem eles, tentando nos seduzir com palavras bonitas. Pois coitado, nem os óculos possui mais.
Zóia! às vezes fico pensando sobre esse tal de progresso. Esse, que aquele pessoal dos flashes falam enquanto nos dão um empurrãozinho para nossas moradas quando chegam muito perto e sentimos medo. Acho que ele deveria vir acompanhado de tantas outras coisas mais importantes e necessárias que uma estátua. Afinal, o que vamos fazer com ela? Concentrar nossos olhares em sua direção para contar os curiosos?
Garanto que os nossos vizinhos barulhentos, que só descobrimos seus ninhos por sabermos torcer a cabeça para todos os lados sem movimentar o corpo, também não estão de acordo.Ouço falarem entre si que não toleram a presença humana. Já viste algum deixar que um humano se aproxime dele ou de seu ninho?

jan 25, 2010 - Últimas Notícias    No Comments

AELN na Feira de Tramandaí

Por Leda Saraiva Soares

Dia 22, às 21 horas, aconteceu a abertura solene da 9ª Feira do Livro de Tramandaí. O Patrono, Antônio Fagundes compareceu, devidamente pilchado, acompanhado de sua esposa e familiares. Presentes à cerimônia de abertura: Exmo.Sr. Prefeito Municipal, Prof. Anderson Hoffmeister e sua esposa, Presidente do Legislativo de Tramandaí, Sr, Luiz Moti, Secretária de Educação, Profa. Alvanira Gamba, Diretor de Cultura Adriano Lima, Diretora da Biblioteca Pública Municipal, Profa. Dagma Wender, Diretora de Cultura do Município de Imbé Siley Quadros, escritores de Tramandaí: Ulda Melo e Solange Barbosa, escritores, membros da Academia de Escritores do Litoral Norte: Evanise Bossler e Leda Saraiva Soares, autoridades do Município de Imbé, população residente e veranistas. O ambiente da Feira do livro ficou muito especial: acolhedor, espaçoso e seguro. Paralelamente à venda de livros e lançamento de obras, há atividades culturais interessantes que constam na programação da Feira. Dia 30, sábado a Academia de Escriotres do Litoral Norte estará lançando a sua Antologia na 9ª Feira do livro de Tramandaí.

Veja as fotos abaixo.

jan 19, 2010 - Poemas    2 Comments

Pegadas na areia

Pegadas na areia

Por Artur Pereira dos Santos
 
As pegadas que deixei na areia
mostraram quão frágeis
e pouco duradouras
foram as lembranças
daqueles que caminharam
em sentido contrário ao meu.
O vento que soprou sobre elas
logo extinguiu as marcas  que  deixamos.
Na senda do tempo que seguimos,
as marcas que hoje nem mais vimos,
são os passos que perdi e que perderam,
deixados em meu caminho
e deixados nos caminhos seus.

jan 13, 2010 - Poemas    1 Comment

O Recomeço

O Recomeço

Por Rosalva Rocha
11/01/2010

Novo ano,
Vida nova,
Esperanças renovadas,
Novos projetos e, especialmente,
Busca de equilíbrio.
Equilíbrio para suportar a dor,
Gozar o amor,
Transpor obstáculos,
Mudar, girar, contornar e, quem sabe, até flanar…
Equilíbrio para saber esperar as respostas que não virão,
As esperanças que não se concretizarão,
E a alegria demasiada pelas conquistas que não estarão previstas.
Equilíbrio para continuar acreditando que há muito por fazer,
Há muito por crer,
Há muito por crescer.

Chegou o tempo da virada,
Da grande virada, onde a doação
Será a tônica neste ano que se inicia.
Preciso retribuir ao mundo o que ele
Me proporcionou até aqui.
Certamente, se isto acontecer, 2010 valerá a pena!

jan 8, 2010 - Poemas    No Comments

Histórias

Histórias

Por Evanise Gonçalves Bossle

Escrevi histórias em rascunhos
e esqueci…
Mas depois de muito tempo
encontrei-as novamente.
Já não são somente histórias,
são pedaços de minha alma,
são janelas de meu mundo,
meu passado, meu presente
e meu futuro.

jan 8, 2010 - Poemas    No Comments

Verão

Verão

Por  Evanise Gonçalves Bossle

Milho verde, água de coco
sol e mar,
calor intenso, protetor.
Bebida gelada, sorvete de creme,
ventilador.
Uma música suave
ou uma batida mais forte,
cervejinha a beira mar.
À noite ver o pintor de azulejos,
o atirador de facas,
artesãos pelas calçadas,
ver artistas sem palco
sem pagar entrada.
Esse o verão na praia.

jan 3, 2010 - Crônicas    No Comments

O Bug do Espelho

O Bug do Espelho

Por Leda Saraiva Soares

Meio ao profundo silêncio, um estrondo… Seria uma bomba jogada à nascente das águas lendárias da fonte localizada nas proximidades de Téspias na qual Narciso se enamorou de sua própria imagem? Seduzido por sua beleza, permaneceu ali, contemplando-a até consumir-se. Nasceram de seu corpo raízes e ele se transformou na flor conhecida pelo nome de Narciso.

Seria o “Bug” do Milênio? Sinais tão esperados em fim de século? Sinais dos tempos? Ou simplesmente, como querem alguns, apenas virada de ano? Chegada de uma nova era?

O velho espelho redondo, medindo quase um metro de diâmetro, com moldura antiga e resistente, de cor manteiga, com um tope entalhado na madeira da moldura que indicava a posição certa na parede, não quis assistir à chegada do ano 2000.

Eram 16 horas do dia 29 de dezembro do ano de mil novecentos e noventa e nove, quando desabou, ficando a parte do espelho voltada para o piso.

Quantas imagens esparramadas pelo chão entre cacos… Risos, trejeitos de adolescentes, de adultos e de crianças, congelados no tempo, desde o final da década de setenta.

Da velha fonte, jorrava, em torrente pela sala de nossa casa, muitas imagens de jovens, amigos de nossos filhos, nossos amigos que sempre nos visitavam, nós mesmos esparramados pelo chão.

O “Orango” foi o primeiro a se precipitar e, com ele vieram tantos: o “Cavalo” (Pedro), o “Felpa” (Vladimir), o “Bino” (Armindo), o “Pinico” (João), a Daniela, a Jussimeri, o “Goiaba” (Cassiano), o “Nuvem” (Alexandre), o “Anão” (José), a “Courila” (Jaqueline)….

Depois outra torrente trazia a geração mais nova: a Rafaela, a Lisiane, a Karina, a Raquel, a Denise, a Mirian…

Mais afoitos e fazendo estripulia, saíram dali a Gisele, a Vitória, o Ícaro, o Marcelo, o Pedro, a Mariana, o Mateus, a Marina…

Só a bisa (vó Mariquinha) presenciou o “Bug” do espelho.

Ao chegarmos a casa, voltávamos de Porto Alegre, deparamo-nos com a vó Mariquinha sentada em sua cadeira de balanço e, a seus pés, o velho espelho emborcado. Disse-nos que se despencou fazendo um ruído medonho. Ainda bem que não caiu por coima dela. Antes de erguê-lo, cheguei a pensar que estivesse inteiro. Na hora de desvirá-lo, deparamo-nos conosco: o Noel e eu, saindo por entre os cacos. Lá no fundo, vimos outras pessoas desconhecidas que também se refletiram naquele espelho em outros tempos.

O espelho, qual água nascente da fonte onde Narciso se enamorou de si mesmo, por muitos anos, nos fez companhia, ocupando um lugar de destaque na sala de nossa casa, ou melhor, já fazia aparte da casa quando a adquirimos.

Esse espelho era irresistível, atraindo para si todos os olhares daqueles que chegavam à sala, refletindo o Narciso que cada um traz consigo.

Aquela moldura tão antiga já se integrara ao nosso ambiente familiar e mereceu outro espelho. Hoje, moramos em Imbé e o espelho nos acompanhou.

dez 22, 2009 - Contos    No Comments

Noites natalinas

Noites natalinas

Por Mariza Simon dos Santos

Quero escrever sobre o cotidiano natalino que a a cada ano se repetiu com o mesmo ritual: o pinheiro araucária trazido do mato, enfeitado com algodão e bolas coloridas, o rústico presépio, Papai Noel, uma figura mágica , as velas acesas para esperá-lo e os cantos natalinos entoados ao som do piano e do acordeão. Ah! Se me lembro daqueles natais!

Uma ceia farta na grande mesa centralizada com o conhecido peru, abatido na véspera, bolachas , nozes , não faltando outros saborosos complementos. E os doces? Como faltariam os doces numa mesa alemã? Torta, pudins, caramelados e a tão apreciada “torta de sorvete”, feita a muitas mãos.

Toda a família em frente ao pinheiro, tios,tias,primos e primas, toda a parentela, amigos, convidados, em torno da cadeira de balanço onde reinava a figura central de minha avó paterna.

A cerimônia natalina começava, alvoroço na sala apertada. O som de um sino abafado anunciava a chegada do tão esperado Papai Noel. Emoção: olhos arregalados e corações batendo e ele chegava com seu HO! HO! carregando um grande saco de estopa às costas, auxiliado pelos tios que tb. carregavam sacolas cheias de presentes.,

As crianças iam cumprimentá-lo , estendendo a mãozinha e estalando um tímido beijo em sua face fria. Ele perguntava sobre a escola e o comportamento, dando conselhos. Aos mais levados, mediante a intervenção de um dos pais presentes, levantava a mão mostrando uma vara fina do marmeleiro que havia no pátio da casa.

Depois das saudações vinha a hora de arte. As crianças recitavam versinhos, outras entoavam cantos natalinos e ensaiavam passos de dança, encorajadas pela entusiasmada parentela, acrescida dos orgulhosos pais.

Vovó, orgulhosa, balançava a cabeça sorrindo ,sentada na sua inseparável cadeira-de-balanço.

Ah! Como eram bons meus tempos de infância ! Como eram bons os meus Natais! Ainda existem na minha memória ! Da mesma forma, mantenho o mesmo tradicional ritual para que meus netos guardem nos seus corações a lembrança destes momentos mágicos em suas vidas!

dez 18, 2009 - Últimas Notícias    No Comments

Concurso Internacional de Literatura

A União Brasileira de Escritores (UBE-RJ) dá prosseguimento ao seu projeto iniciado há mais de cinquenta anos e promove novo CONCURSO literário de caráter internacional.

UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES (UBE/RJ)
Integrante da Federação Latinoamericana de Sociedades de Escritores
20021-350 Rua Teixeira de Freitas, 5 s/303 – Centro. Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
Fundada em 27 de agosto de 1958.

 
UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES (UBE-RJ)
CONCURSO INTERNACIONAL DE LITERATURA PARA 2010.
 
 
R E G U L A M E N T O
 

I – DOS PRÊMIOS

Art. 1.° – Ainda com a ressonância do JUBILEU DE OURO recém-comemorado (1958/2008), a União Brasileira de Escritores (UBE-RJ) concederá, no próximo ano (2010), os seguintes prêmios literários para livros editados em 2009:
s        Contos – PRÊMIO CLARICE LISPECTOR;
s        Crônicas – PRÊMIO PAULO MENDES CAMPOS;
s        Ensaio – PRÊMIO AMELIA SPARANO;
s        Literatura Infantil e Juvenil – PRÊMIO VIRIATO CORRÊA;
s        Poesia – PRÊMIO ADALGISA NERY;
s        Romance – PRÊMIO LÚCIO CARDOSO;
s        Teatro – PRÊMIO MARTINS PENA.
Parágrafo único – Para livro de contos, será concedida também a MEDALHA HARRY LAUS, apenas para o primeiro colocado.
Art. 2° – A critério das Comissões Julgadoras poderão ser concedidas às obras concorrentes a qualquer dos prêmios uma menção especial e uma menção honrosa, exceto a Medalha Harry Laus que terá somente um ganhador.

II – DA APRESENTAÇÃO DAS OBRAS CONCORRENTES

Art. 3° – Poderão concorrer autores de quaisquer nacionalidades, desde que se expressem em língua portuguesa e tenham sido editados no ano de 2009. Enviar três exemplares da obra concorrente.
§ 1° – O autor deverá anexar envelope contendo: título da obra, nome e endereço completo do autor, telefone, e-mail (se houver) e sucinto curriculum vitae.
§ 2° – Não haverá devolução de livros concorrentes.

III – DAS INSCRIÇÕES E DOS PRAZOS

Art. 4° – Não há limitação quanto ao número de livros por autor, observadas as disposições do Art. 3.° e seus parágrafos.
Art. 5° – Os trabalhos deverão ser enviados entre os dias 4 de janeiro a 15 de maio de 2010, considerando-se, no caso de remessa pelo correio, a respectiva data da postagem.
Art. 6° – Os livros concorrentes a prêmios devem ser remetidos, em separado por categoria, para o seguinte endereço: Rua Teixeira de Freitas, 5, Sala 303 – Lapa, CEP 20021-350 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Solicita-se colocar no envelope ou embalagem o nome do prêmio a que se destina(m) a(s) obra(s).
Art. 7° – É vedada a participação de membros da Diretoria da UBE-RJ.
 
IV – DAS COMISSÕES JULGADORAS E ACEITAÇÃO DOS CONCORRENTES

Art. 8° – As comissões julgadoras serão constituídas, cada uma, por três escritores indicados pela Diretoria da União Brasileira de Escritores (UBE-RJ), sendo irrecorríveis as decisões desses Colegiados.
Art. 9° – A participação no concurso implica a aceitação, por parte do concorrente, de todas as exigências regulamentares, resultando em desclassificação o não-cumprimento de quaisquer destas.
Art. 10° – O resultado do concurso será tornado público até 90 (noventa) dias após o encerramento das inscrições, devendo a entrega dos prêmios ser em data e local previamente anunciados.
Art. 11 – Qualquer informação ou correspondência, enviar para a Secretária da UBE-RJ Margarida Finkel – Rua Malvino Ferreira de Andrade, 69, Aleixo – CEP 25900-000 – Magé, RJ, Brasil. E-mail: margafinkel@hotmail.com
Art. 12 – Os casos omissos no presente Regulamento serão resolvidos pela Diretoria da UBE-RJ.
 
 
Rio de Janeiro, RJ, 30 de outubro de 2009.

dez 18, 2009 - Contos    No Comments

O dia de Natal

O dia de Natal

Por Leda Saraiva Soares

   Era uma expectativa muito grande até o dia 24, véspera do dia de Natal, data em que o Papai Noel chegaria com os seus presentes tão esperados.

   As pessoas, em sua maioria, deixam para fazer suas compras de Natal na última hora. O mesmo acontecia em  Tramandaí. Era um dia de movimento fantástico. A loja e armazém de meus pais ficavam apinhados de gente, todos querendo ser atendidos ao mesmo tempo. Parecia até o movimento da “Bolsa de Valores”, claro que  em menor escala…. O balcão da loja, sem exagero, ficava literalmente tomado por tecidos, uns sobre os outros porque não dava tempo de recolocá-los no lugar. Ninguém achava mais a tesoura para cortar tecidos… nem o metro… era o caos! Quando o movimento se acalmava, corria-se a pôr tudo em ordem para que possibilitasse dar continuidade ao atendimento. Todos ficavam exaustos. Mas a festa de Natal ainda estava para acontecer.

   Dez horas da noite… essa era a hora em que a família conseguia se reunir. As crianças desde cedo, estavam arrumadas, numa excitação grande, questionando sobre o Papai Noel: Existe? Não existe?

   O pinheirinho todo enfeitado era uma grande  atração. O presépio era um encanto! O tio Pedro liderava o ensaio das músicas que deveríamos cantar para o Papai Noel:  “Já faz tempo que eu pedi, mas o meu Papai Noel não vem…”(…) A bênção, Papai Noel, eu quero um presente seu, aquele que lhe pedi, você ainda não me deu…”(…) O canto nos acalmava e os adultos ganhavam tempo.  Cada criança tinha que fazer alguma coisa para o papai Noel: cantar, dizer um verso, dançar, rezar…

   À medida que as horas iam passando, sempre chegava mais uma pessoa atrasada. Alguém anunciava que o Papai Noel já estava a caminho. Era a hora de acender as  velinhas da árvore. Uma de nossas tias, tia Rola, tia Ioia ou tia Julieta, com um fósforo, acendia cada velinha do pinheiro. As luzes se apagavam. era um momento mágico!. Só o pinheirinho ficava iluminado. Nessa época, não havia, ainda, essas luzes “pisca-pisca” tão usadas atualmente. Entoávamos a música “Noite Feliz”. O coro de vozes  ia se intensificando e o cântico “Noite Feliz” era entoado por todos com grande emoção. Naquele momento, a lembrança de pessoas queridas que partiram desta vida, doía em saudade no peito de alguém. As lágrimas eram inevitáveis. A luz das velinhas realçava os enfeites da árvore que brilhavam intensamente, refletindo-se nos olhos dos presentes. Era um momento de saudade que se misturava à alegria daqueles rostinhos felizes e ingênuos das crianças.

   Finalmente, ouvia-se um bater forte da bengala do Papai Noel na madeira da escada do sobrado que conduzia ao hall. As crianças ficavam nervosas, alvoroçadas. Algumas começavam a chorar com medo do   Papai Noel. As maiores, com a presença do velhinho, aquietavam-se.

   A festa começava. As crianças faziam suas apresentações. Um adulto auxiliava o Papai Noel lendo os nomes escritos nos papéis dos presentes.O Papai Noel ia chamando, cada um por seu nome: Renato!, Marco Antônio! Glaci! Lizette! Leda! Gilberto! Beti, Clovis(…) Depois começava a chamar os adultos: Vovô Fernando! Vovó Bernardina! Mariquinha! Palmarito! Pedro! Rola! Aristides! Julieta! Ioia! E tantos outros nomes de pessoas que trabalhavam em nossa casa, tanto no balcão como nos afazeres domésticos: Santa! Elvira! Sem falar dos amigos que sempre estavam presentes em nossos Natais: Sedinha!Ah! essa não poderia faltar. Já fazia parte de nossa família, era a nossa amiga inseparável, sem a qual os brinquedos perdiam a graça.

   Papai Noel, depois de chamar por tantos nomes, despedia-se para voltar no ano seguinte.

Texto do livro: SOARES, Leda Saraiva.Tramandaí / Lembranças a Granel.Edição da autora,Porto Alegre, 2004, pp.70,71.

Páginas:«1...7172737475767778»