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A Independência do Brasil

A Independência do Brasil

Por Mariza Simon dos Santos

A maré de inovações e mudanças que invadiu a Europa após a Revolução Francesa (1789) também teve u m efeito devastador na então colônia de Portugal- o Brasil. Era uma população analfabeta, isolada do mundo da época e controlada rigidamente. Manufaturas e indústria grafica eram proibidas , como também jornais. Não havia circulação de idéias. Uma minoria tinha acesso a livros e até mesmo réu niões eram vigiadas e proibidas. De cem brasileiros só saibam ler e escrever cerca de dez .

Publicações de pensadores europeus , com idéias libertárias eram trazidas da Europa, onde alguns privilegiados haviam estudado, e alimentavam as reuniões secretas, como as da maçonaria. A partir do século XVIII surgiriam revoltas derivadas do conflito de interesses entre a colônia e Portugal chamadas de nativistas pelo seu caráter local, tendo á frente brasileiros nativos; a Revolta dos Beckman 1684); a Guerra dos Emboabas (1707, Minas Gerais); a Guerra dos Mascates (1710, Pernambuco); a Revolta de Felipe dos Santos (1720, Minas Gerais). As mais separatistas foram a Inconfidência Mineira (Vila Rica, 1789) e a Conjuração Baiana (Salvador ,1798) que evidenciaram uma certa consciência da posição colonialista.

A possibilidade de tornar-se um país independente era muita remota. O isolamento e as rivalidades entre grupos pobres e analfabetos (90% ) e uma minoria rica e intelectualizada de um país à beira da falência, sem exércitos,navios,armas e munições,prenunciava uma longa e sangrenta guerra contra os portugueses. Mas o anseio de liberdade crescia numa pequena elite já existente. O retorno a Lisboa (abril1821) de D.João VI deixou o país despojado de seus bens financeiros,guardados no Banco do Brasil e no Tesouro Real.Seu filho D.Pedro I, como Príncipe Regente encontrou os cofres vazios. Ao manter a chama acesa da independência brasileira D.Pedro I apelou para empréstimos estrangeiros( quando nasceu nossa dívida) e pela valorização fitícia do dinheiro (gerando inflação). Somou-se-se a este quadro político graves problemas econômicos, já que a produção açucareira e a mineração de ouro e diamantes estavam em decadência, apesar do incremento da produção do algodão.Estava sur gindo um novo eixo econômico no vale do Paraíba com a produção do café, uma riqueza que se expandiu.

Após o “grito da Independência” ( concepção artística, visualizada e proclamada pela pintura de Pedro Américo- o quadro “Independência do Brasil”) iniciou-se definitivamente o processo de separação de Portugal. O Brasil se apresentava como um binômio: um Brasil transformado pela presença da Corte Portuguesa, com algumas milhares de pessoas com requintes de refinamento, alojadas num vilarejo modesto e colonial(Rio de Janeiro); contráriamente havia brasileiros espalhados por um vasto territorio quase desconhecido, isolados e ignorantes. Não haviam elos de ligação entre estes dois Brasis., a não ser a aversão ao trabalho manual , dependente da mão de obra escrava. A situação brasileira nos anos seguintes foi muito delicada e exigiu habilidade política,na tentativa de não fraccionar o território, a exemplo das colônias que se separavam da Espanha.A Bahia manteve-se fiel à Coroa Portuguesa e também o Maranhão, Piauí, o Pará e o Amazonas. Após inúmeros conflitos foram sufocadas as rebeliões nestas Províncias, instalando-se uma relativa acomodação ao status quo.

Já se passaram 500 anos da descoberta do Brasil e cerca de quase 200 anos de nossa libertação da Coroa Portuguesa. No entanto, ainda hoje observamos um país bipartido, com lugares de alto padrão intelectualizado e lugare e segmentos sociais de homens e mulheres analfabetos. Temos uma imensa juventude semi-alfabetizada e atrasada. Temos um Brasil multicultural e de extensa territorialidade mas convivendo entre abismos sócio-culturais. Ainda não tomamos consciência de nossas deficiências e atrasos neste século XXI. Não enfrentamos decisivamente nosso pior inimigo: a ignorância cultural e o semi-analfabetismo. Canalizamos nossos esforços econômicos e sociais nos segmentos universitários e formamos jovens despreparados para erguer e projetar nosso país.Que projeto teremos para este nosso País, senão pensarmos e prepararmos as multidões de crianças e jovens para um futuro tão próximo? Desta maneira faremos a verdadeira Independência deste Brasil tão rico, privilegiado por uma Natureza exuberante, que responderá generosamente aos nossos esforços. Precisamos concretizar a verdadeira independência de nosso país.

jul 28, 2011 - Crônicas    No Comments

Pra quem chega ao fim da tarde

Pra quem chega ao fim da tarde
(inspirado na música O Festival, de Fernando Corona)
Por Cássia Message

Já assisti a Moenda de vários lugares: da arquibancada, das cadeiras, em dvd, pela internet… mas agora assisto de um lugar diferente e especial.

Nos finais de tarde de segunda-feira, assisto a Moenda dos seus bastidores, nas reuniões que precedem e que se seguem ao esperado final de semana de agosto. Reunidas, as pessoas que fazem com que este espetáculo aconteça e se repita são uma família: ao redor da mesa da pequena sala que serve de escritório para a Moenda, no Ginásio de Esportes, conversam, tomam chimarrão, discutem. Calculam, telefonam, trocam idéias. Comemoram cada pequena conquista, e superam as dificuldades. Brigam por suas idéias, lutam para que se faça sempre o melhor. Sonham.

Incontáveis detalhes têm que ser lembrados. Se a fé remove montanhas, é preciso muito trabalho para mover uma mesa de som, um jogo de luzes, um palco. É necessário que além da paixão – principal requisito para ser “moendeiro” -, haja garra, persistência e muita paciência. Sem falar em apoio, patrocínio e sorte, que não podem faltar.

Mas eles – e eu, que agora faço parte dessa família – não desistem nunca.

A cada segunda estamos um passo mais próximos da 24ª Moenda, e imagino as emoções que viveremos: aquele medo que antecede os grandes momentos da vida, a coragem que faz estes momentos acontecerem.

Penso na Carmem Monteiro, que neste texto representa cada um de nós. Qual será o segredo para que a razão prevaleça a despeito de todos os sentimentos envolvidos nessas três noites, que são preparadas com tantos pequenos e imprescindíveis cuidados?

No fim, só tenho um certeza: somos todos loucos!

E o resultado tá aí: tem gente que chora, tem gente que chora de rir’.

Mas essa loucura é normal.

Essa loucura é FESTIVAL!

Dia Nacional do Escritor

O dia 25 de julho é um dia dedicado a homenagear o escritor brasileiro, aquele que elabora artigos científicos, pautados em verdades comprovadas, ou textos literários, divididos em vários gêneros.

O surgimento da data se deu a partir da década de 60, através de João Peregrino Júnior e Jorge Amado, quando realizaram o I Festival do Escritor Brasileiro, organizado pela União Brasileira de Escritores, a que os dois eram presidente e vice-presidente, respectivamente. Porém, de alguns anos para cá, as dificuldades dos escritores tem sido muito grandes, principalmente no que diz respeito à publicação de suas obras. Despreocupados com a qualidade dos textos, mas com a quantidade de vendas dos produtos, muitos editores lançam volumes que garantem retorno econômico à empresa.
Além disso, os meios de comunicação virtual publicam na íntegra, gratuitamente, obras de vários autores, sem considerar os respectivos direitos autorais, causando prejuízos aos mesmos.

Em razão do mundo virtual, jovens e crianças têm perdido o contato com os livros, passando grande tempo na frente do computador ou da televisão. Com isso, o acesso ao mundo letrado tem diminuído consideravelmente, e com ele as vendas dos artigos literários.
Ler é importante para o desenvolvimento do raciocínio, para desenvolver o aspecto crítico do leitor, criando novas opiniões e estimulando sua criatividade. Quando lemos, nos reportamos para outros lugares, como se estivéssemos viajando no tempo e no espaço.

As riquezas literárias são muitas, podendo estar divididas em textos científicos, que comprovam as teorias, e textos literários do tipo romance, comédia, suspense, poemas, poesias, biografias, músicas, novelas, obras de arte, literatura de cordel, histórias infantis, histórias em quadrinhos, dentre vários outros.

Pesquisa realizada em 2001, pela Câmara Brasileira da Indústria do Livro, comprovou que cerca de 61% dos adultos alfabetizados do país mantém pouco contato com livros, enquanto que a camada mais baixa da população, cerca de seis milhões e meio de pessoas, alegam não ter condições de adquirir livros.

Hoje em dia o Brasil conta com mais de trinta projetos de incentivo à leitura, bem como de divulgação das bibliotecas públicas do país e seus acervos bibliográficos, sendo o PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura) o mais importante deles. O programa oferece apoio a novos escritores, defende os direitos autorais dos escritores, abona apoio às publicações para novos autores, investem em traduções, mantém premiações e bolsas de incentivo para novos escritores.

Fonte: Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola
Fonte: www.brasilescola.com

jul 20, 2011 - Crônicas    No Comments

Crescer dói

Crescer dói

Por Evanise Gonçalves Bossle

Sim, crescer dói! Isso é uma constatação inegável.

Quando nasci chorei, mas a dor de nascer não me trouxe recordações futuras, não me lembro desse fato. A dor de que me lembro foi a dor de crescer, a primeira noite na casa da madrinha, ainda criancinha, de quatro ou cinco anos, a primeira vez longe da mãe. E a dor da insegurança no primeiro dia de aula.

Ah, sim… crescer dói, e muito . Também lembro de uma dor infantil, mas  inesquecível, quando um marimbondo me picou o dedo mindinho , eu estava ajudando meu pai a cortar as folhas da bananeira, já me sentia útil, crescida, mas quando o bichinho me picou,voltei a ser bebê, chorei, chorei.

Em outra ocasião, tinha oito anos, sofri, quando o primeiro amor platônico foi embora da cidade.

E fui crescendo, a dor não nos impede de crescer. A adolescência chegou e com ela as dores físicas e emocionais, talvez mais físicas, o corpo mudando, as primeiras cólicas, além das mudanças súbitas de humor que até então eram desconhecidas, mas passei no estágio para a fase adulta. Formatura, emoções, amores, separações, primeiro emprego. Nessa fase descobri que os amigos não são para sempre, que os empregos, por mais que esperamos, também são provisórios, e novamente me via recomeçar, novos amores, empregos, amizades…

Dores, dores. Sim, crescer dói. E veio a gravidez, as inseguranças, o fantasma do medo. Mas tudo correu bem, depois da pré-eclâpcia , parto prematuro de 27 semanas e meia , meu filho nasceu pequenino, mas saudável, 72 dias no hospital. Esse período foi o mais longo de espera e esperança, lágrimas incontidas. Só que o tempo e o medo passaram e voltei para casa feliz com meu filho nos braços. Não senti a dor do parto, mas quem vai negar que a cesariana dói, no primeiro dia, no segundo… na segunda semana, e às vezes, até no primeiro mês depois do parto.

É verdade, crescer dói. Mas não sentimos apenas dores, crescer também nos traz maturidade, serenidade, múltiplas alegrias.

E o tempo não para e continuou atropelando-me, sorvendo-me os dias, e a dor da perda do meu pai, trouxe-me as saudades da infância perdida, dos momentos felizes, a dor da perda trouxe-me a vontade desesperadora de voltar no tempo, de buscar o que nunca mais será possível, um abraço, uma palavra, uma voz longínqua que ecoa pela casa, uma risada sonora, inesquecível.

É, crescer dói, mas precisamos crescer e aprender com as perdas e ganhos como diz Lya Luft em seu livro que traz esse título. Crescer dói, mas precisamos ter coragem e perseverança para continuar a caminhada que nos foi presenteada por Deus: a vida.

mar 5, 2011 - Crônicas    No Comments

Culpa do professor? Não!

Culpa do professor? Não!

Por Márnei Consul, professor de Português e Inglês

http://marneiconsul.blogspot.com

É impressionante! O professor faz das tripas coração e continua sendo alfinetado (ou seria esfaqueado?) pela sociedade.

Esses dias, circulava numa escola daqui de Santo Antônio artigo publicado em Zero Hora com o título “Quando a culpa é do professor”. Trata-se de um jornalista e advogado criticando o trabalho dos docentes, dizendo que estes só reclamam e não ensinam os alunos a pensar.

O interessante é que a crítica veio de alguém bem de fora da educação. Normalmente, é isso que ocorre: alguém de fora, sem a experiência no ramo, mete o bedelho, opinando abobrinhas com um português duvidoso.

O autor não deixou seu e-mail para contato. Do contrário, enviaria um a ele, sugerindo que acompanhasse mais de perto o trabalho de um professor. Talvez, assim, ele veria que fazemos muito mais do que ensinar. Precisamos ser psicólogos, assistentes sociais, motivadores, consertadores… e o que mais mesmo? Ah, sim, professores também. Ele poderia visitar a casa de alguns docentes também e ver que, quando nela estão, nem sempre é para lazer, mas sim para planejamentos, correções e uma gama de atividades relacionadas à escola. Se bem que alguns docentes, dificilmente, estão em casa num horário bom para receber visitas, já que trabalham em duas, três ou quatro escolas.

Depois de ter essa experiência (quem sabe?), poderia mudar o teor de seus escritos sobre os professores. A realidade vai muito mais além do que as paredes de um escritório com Internet e ar condicionado. A realidade é dura e é enfrentada da melhor maneira possível. Não somos milagreiros. Será que não estamos prestes a ser?

mar 3, 2011 - Crônicas    No Comments

A mulher na Literatura Brasileira

A mulher na Literatura Brasileira

Por Suely Braga

Educadora e Professora, Osório, 03/03/2011

No ano Internacional da Mulher, especialmente neste dia oito de março, vamos refletir sobre a importância da mulher na Literatura Brasileira. No século XIX, as mulheres viviam em sua maioria enclausuradas.Sem o direito de  aprender a ler e escrever e votar. Havia e sabemos, que há ainda uma discriminação muito grande das mulheres nesta sociedade machista.A  primeira legislação autorizando a abertura de escolas públicas se deu em 1827. A mulheres daquela época eram criadas para serem boa  mães ,boas donas de casa e obedecer seu chefe,o marido.Com o casamento elas saiam do jugo paterno, para caírem no jugo do seu dono, o esposo. Não precisavam serem  cultas ,nem intelectuais.

O machismo, como ainda hoje existe em muitas partes do mundo,naquela época imperava predominantemente. A sociedade era patriarcal. A brasileira Nísia Floresta Brasileira Augusta, nascida no Rio Grande do Norte e residiu em Recife, Porto Alegre e Rio de Janeiro, antes de se mudar para a Europa, foi uma das primeiras mulheres a romper o espaço privado dos homens na Literatura. Publicou textos em jornais da chamada “grande imprensa”.

Seu primeiro livro: “Direitos das mulheres e injustiça dos homens”, de 1932, é também no Brasil, o primeiro a tratar dos direitos das mulheres à instrução e ao trabalho. Anos depois, em Porto Alegre, Ana Eurídice Eufrosina Barandas, jovem escritora, publicou o livro: “Aphilósopha por amor” com contos, versos e uma peça teatral.

Já muito depois, Raquel de Queiroz colocou-se na vanguarda de sua época ao penetrar no mundo das letras. Sua estreia em livros, em1930, foi com o romance: “O Quinze”. Causou assombro. Seria realmente de    mulher? Indagavam.  O Quinze foi levado à televisão, numa série na Globo.

No regime militar ,algumas se posicionaram contra o governo ditatorial, revelando com coragem  suas posições políticas como Nélida Pinon, Lila Ripoll e outras. Nélida Pinon foi a primeira mulher a ser Presidente da Academia Brasileira de Letras . O rol das escritoras brasileiras  do século XX é vasto: Cecília Meireles, Lígia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Marina Colassanti, Zélia Gatai, as nossas gaúchas Lia Luft, Hilda Hist, Marta Medeiros, Letícia Wierzchowski ,na poesia a grande lírica Lila Ripoll, t ambém destacada por sua militância política. Na poesia infantil Maria Dinorah.


As mulheres vêm conquistando ,como muita luta , em todos os setores da sociedade seu posto, até na Presidência do Brasil, algo inédito em nosso país.  Na Literatura e na Academia de Letras temos algumas mulheres.
Atualmente,vem surgindo uma plêiade de escritoras jovens,outras nem tão jovens,que se espalham pelas editoras com suas obras literárias.

A escritora e historiadora Hilda Flores vem buscando escritoras para seu “Dicionário das escritoras gaúchas”. S urgiram também  algumas Academias Femininas  de Letras. Agora ,com a internet é infindável o número de escritoras com livros digitais, sites, blogs e twitter. As mulheres do séculos XX e XXI deixaram de ser as Amélias para ocuparem posições e cargos e navegarem no mundo das Letras.

fev 28, 2011 - Crônicas    No Comments

A perda de um grande escritor

A perda de um grande escritor

Por Suely Braga

Hoje, para mim, foi um dia triste. O Rio Grande do Sul está de luto pela perda de nosso maior escritor Moacyr Scliar.

O único escritor gaúcho que galgou as escadas da Academia Brasileira de Letras.Assentou-se na cadeira número 31.

Moacyr Scliar nasceu em Porto  Alegre em 1937. Foi autor de mais de oitenta livros abrangendo vários gêneros:romances,contos,crônicas ,ensaios e ficção infanto – juvenil. Muitos deles foram publicados nos Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Portugal, Suécia, Argentina, Colômbia, Israel e outros países, com grande repercussão da crítica. Recebeu muitos prêmios. Prêmio Jaboti em 1988, 1993 e em 2009. Prêmio Pen Clube do Brasil em 1990 e muitos outros. Formou-se em medicina em 1962,especializando-se em saúde pública.Viajava frequentemente tanto no país como no exterior para congressos e conferências. Em 1993 e 1997 foi professor visitante na Brown University (Departament for portuguese and Brasian Studies,nos Estados Unidos ). Foi colunista dos jornais Zero Hora e Folha de São Paulo Colaborador de vários órgãos de imprensa no país e no exterior.

Moacyr Scliar era um portento em sabedoria e de uma simplicidade incomparável.

Conhecedor profundo da Bíblia,baseava muitas de suas histórias nas histórias bíblicas como: A mulher que escreveu a Bíblia e Manual da Paixão Solitária,em 2009. Perguntei-lhe por que ele era o único escritor gaúcho que escrevia sobre a Bíblia. Ele me respondeu que a Bíblia tem as histórias mais bonitas. Fiz uma oficina de crônicas com ele, em Porto Alegre e pude testemunhar  o seu imenso cabedal de conhecimento e sua simplicidade.

Esteve várias vezes em Osório, nas Feiras de Livro para palestras ,bate-papos e foi Patrono uma vez.

Na nossa última Feira, em novembro-dezembro, ,esteve presente proferindo uma palestra. Tirei fotos com ele e autografou meu livro :Histórias para (quase ) todos os gostos,livro de contos lançado na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Estava agendado para ser Patrono da Feira de Capão da Canoa, na Páscoa.

Certa vez ,numa entrevista na televisão afirmou, que sempre que era convidado e se sua agenda permitisse comparecia em qualquer cidade ,mesmo na pequenas.

Eu sempre tive uma grande admiração por ele como grande escritor e maravilhosa pessoa humana.

Moacyr Scliar deixa uma imensa lacuna na Literatura não só gaúcha, mas na Literatura brasileira.

fev 28, 2011 - Crônicas    No Comments

Adeus Moacyr Scliar

Adeus Moacyr Scliar

Por Benedito Saldanha

Dizem que os imortais nunca morrem. E nesta verdade cegamente acreditávamos. A Academia Brasileira de Letras declarou que o escritor gaúcho Moacyr Scliar era imortal a partir de seu ingresso naquela conceituada instituição. Só esqueceu de combinar esta moção junto aos desígnios superiores.

Scliar faleceu neste domingo, 27 de fevereiro de 2011, depois de um período de coma, em que lutou bravamente pelo bem maior que é vida. A noticia se espalhou rapidamente pelo estado, deixando entristecidos seus leitores e todos aqueles que reconheciam a sua importância para a cultura rio-grandense.

Como presidente atual da Sociedade Partenon Literário, reconheço que Scliar teve um papel importante para nossa instituição quando proferiu uma palestra histórica atendendo a convite do ex-presidente Serafim de Lima. E isto numa época em que ainda se estabelecia o processo de reativação e fortalecimento do Partenon. Agradecemos profundamente escritor imortal sua contribuição para nossa entidade pioneira e espero que este agradecimento chegue até à dimensão em que agora te encontras.

Pessoalmente tive dois encontros com o mestre da literatura. Primeiro em 2004, quando ele era Patrono e parou para conversar comigo num dos corredores da Feira do Livro de Porto Alegre. Depois em 2008, novamente na Feira do Livro, quando pedi para que ele posasse para uma foto que deixo abaixo como uma imagem que guardo até hoje no meu acervo.

Sua partida nos demonstra a grande verdade de que a vida é muito perene. Mas muitos fazem dela uma lição de dignidade, de amor e dedicação ao conhecimento como é o caso de Moacyr Scliar. Adeus Escritor. Sua obra é imortal!

fev 10, 2011 - Crônicas    No Comments

Quem compra livros? Quem lê livros?

Quem compra livros? Quem lê livros?

Por Mariza Simon

Que pergunta estranha! Grandes autores apresentam grandes vendagens. Saramago foi um deles, assim como tantos outros. Mas certamente não foi um dos mais lidos. A razão é que Saramago é um escritor difícil, penetrante. Coloca questionamentos, dúvidas existenciais. Propõem problemas para o leitor, especialmente o problema da forma.Certamente, vendeu muito mas foi pouco lido por se tratar de um autor filosófico.

A maioria do leitor brasileiro só alcança o nível dos autores de entretenimento, de autoajuda ou curiosidades. Livros  de conhecimento, de pesquisa, de história, livros  que induzam à reflexão e à questionamentos mais complexos interessam  a poucos..

Por que a maioria de compradores de livros não consegue ler autores de maior amplitude e complexidade? Falta de interesse?

Acredito que existam algumas respostas.  Uma delas : o nível da educação é baixo e   a  cultura, de maneira geral, é limitada.   Neste sentido, a filosofia   morreu.  A arte de interpelar o mundo, as angústias do nosso tempo, o conhecimento interior, tudo isto foi suplantado  pela crença do presente, do aqui e agora.

O mundo da cultura (arte, ciência, política, hábitos, idéias)  melhorou e avançou muito. Temos  a informação científica e os avanços da ciência no nosso cotidiano,a produção artística se desenvolveu, direitos humanos e política estão avançando bem mais que há 50 anos atrás, a sociedade se expandiu quantitativamente  mas não qualitativamente.

Por que pioramos culturalmente?  Penso,   porque a filosofia desapareceu.Filosofia- no sentido do questionamento sistemático do mundo e do eu. Esta é a razão dos livros mais elaborados pouco serem lidos e comentados; muitos deles relegados às páginas de variedades de jornais e revistas, de maneira geral.

Vivemos a cultura do presente e o que interessa é a posse material e não o conhecimento,  tão necessário   para que as pessoas reflitam e se conheçam, pois, seguramente, vivemos  à sombra do passado.

dez 23, 2010 - Crônicas    No Comments

Natal, Natale, Noël, Weihnachten, e etc…

Natal, Natale, Noël, Weihnachten, e etc…

Por Rodrigo Trespach
Texto publicado originalmente em 23.12.2008 no Portal Litoralmania

Escrever sobre o Natal não é fácil, há muitas histórias e muitas versões. Cada povo, ou país tem uma maneira diferente de celebra-lo e muito está associado como cada povo recebeu e adaptou para sua cultura a festividade e seus atores principais.

O DIA DO NASCIMENTO DE CRISTO?
O dia de Natal, o nascimento de Jesus Cristo, é comemorado como festa religiosa desde o séc. IV pela Igreja Católica. E a forma como é conhecido hoje é o resultado da fusão de várias culturas ao longo dos últimos séculos.

A celebração foi oficialmente instituída pelo Papa Júlio I, mas com poucas bases históricas sólidas para afirmar que 25 de dezembro fosse mesmo o dia do nascimento de Cristo. Muito antes do aparecimento de Cristo, vários povos celebravam de forma muito especial uma data de significativa importância para todos: o solstício de inverno (estamos falando do hemisfério norte, não se esqueça).

Para os celtas, povo pagão que habitava inicialmente o que hoje é a Europa central, o Solstício do Inverno, era um momento extremamente importante em suas vidas, celebrado com grandes banquetes.

Os romanos comemoravam em dezembro a Saturnália, festividade em honra ao deus Saturno – o deus da agricultura que permitia o descanso da terra durante o inverno. As festividades ocorriam entre os dias 17 e 22. No dia 25 era comemorado o solstício de inverno. O solstício de inverno, o menor dia do ano, simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão, por isso estava associado ao nascimento do deus Mitra, o Dies Natalis Solis Invicti (o dia do nascimento do Sol invencível). O culto a Mitra, com origem na antiga Pérsia, hoje Irã, havia chegado a Roma trazido por soldados do Império em expansão.

Com a conversão do Império Romano ao cristianismo, a veneração ao Sol, foi substituida pela veneração a Cristo, em uma clara alusão a “luz do mundo”, do evangelista João (confira João 8:12). A Igreja faria o mesmo com várias outras festas e deidades, transformando a simbologia e os templos pagãos em novas mensagens para cristianismo emergente. Um exemplo, também de grande importância para os povos pagãos, é a Páscoa, que os alemães chamam de Ostern. Os antigos germanos “aceitaram” a cristianização, mas utilizaram elementos de sua própria crença. Ostern vem da deusa Ostara, a deusa da fertilidade e da primavera (no hemisfério no norte) e nada tem haver com a Pessach hebraica adotada pelos cristão após a crucificação de Cristo como redentor. Mas a Páscoa é outra história…

Voltemos ao Natal. Há um porém, o calendário gregoriano, que utilizamos hoje, é utilizado somente a partir do século XVI, quando o Papa Gregório XIII decretou a modificação do calendário vigente na época, o Juliano, para que ocorressem alguns acertos. Assim 11 dias foram retirados do calendário para que ele fosse ajustado. Ocorre que essa alteração modificou também o dia do solstício de inverno, que ocorre hoje entre o dia 21 e 23 de dezembro. No entanto nessa época já estava consolidado o dia 25 de dezembro como o dia do nascimento de Cristo, o Sol Invictus ficará relegado ao passado.

O ANO DO NASCIMENTO ESTÁ ERRADO
Sobre o ano de nascimento a questão é ainda mais complicada. Cristo não nasceu no ano 0 e sim, segundo estudos mais precisos, nos anos 7 ou 6 antes da contagem regular. Isso ocorreu por que os cálculos feitos pelo monge Dionísio, o Exíguo (séc. V), para datar o nascimento de Jesus, estão incorretos em até 8 anos. Ou seja, o monge literalmente dormiu no ponto.

NATAL, NATALE, NOËL, WEIHNACHTEN, ETC

O termo Natal também é diferente em vários países. Natal vem do latim natalis, derivado de nascéris, natus sum ou ainda nasci, cujo significado, bem claro para os países de língua latina, é nascer ou nascimento. E é semelhante ao Natale em italiano e o Navidad em espanhol. Mas outros países, os de origem germânica, usam termos diferentes. Para o alemão Natal é Weihnachten, para o francês Noël e para o inglês Christmas, cada um com um significado especial apropriado ao costume local.

O PAPAI NOEL E O PINHEIRO

Ao Pinheiro de Natal, que os alemães chamam de Tannebaum ou Weihnachtsbaum, atribui-se a Martin Luther, o Reformador, a sua “invenção”. Quem nunca ouviu, principalmente entre os descendentes de alemães luteranos, a tradicional Ó Tannenbaum, Ó Tannenbaum?

Tudo isso, dia e ano de nascimento, falamos da tradição Católica e depois da Reforma no século XVI, Protestante. Mas há ainda a tradição da Igreja Ortodoxa, maioria, por exemplo, na Grécia e Rússia, que comemora o Natal no dia 6 de janeiro…

Mas sabe-se que os povos germânicos têm desde a antiguidade uma ligação com o pinheiro, tanto que as versões mais antigas do Tannenbaum são anteriores a Luther e remotam aos antigos povos que habitavam a Escandinávia antes da migração para a Alemanha.

O Papai Noel é chamado na Alemanha de St. Nikolaus ou Weihnachtsmann, literalmente o homem do Natal. Na França de Père Noel. Noel vem de “lês bonnes nouelle”, ou seja, as boas novas. O uso do “papai” está associado à expressão inglesa “Father Christmas”, ou pai Christmas. Novamente cada país adaptou o nome a sua cultura, assim Papai Noel é chamado na Itália de Babbo Natale, na Suécia de Jultomte e na Rússia de Ded Moroz.

De uma maneira ou outra a popularização ocorreu devido a St. Nikolaus, o São Nicolau, bispo católico na Turquia durante o século IV, canonizado em 800. Homem rico e caridoso, conhecido pela sua dedicação às crianças.

FINALMENTE O NATAL
Não há relatos anteriores ao século XIX de que houvesse algum tipo de comemoração natalina onde um velhinho de barba branca e vestido de vermelho entregasse presentes as crianças. Na Alemanha a tradição atribuía a Christkind, o menino Jesus, a entrega de presentes.

O Papai Noel moderno surgiu nos Estados Unidos. Em 1822 Clemente Clark Moore, um professor de literatura em Nova York, escreveu o poema “Uma visita de São Nicolau”, onde descrevia as viagens de trenó e descidas pela chaminé. O poema foi um sucesso e rapidamente popularizou o personagem que recebeu a aparência atual em 1886, através do cartunista Thomas Nast, da revista Harper’s Weeklys, em edição especial de Natal.

Apesar de ser controverso entre os historiadores é inegável que a Coca-Cola, “a Rainha do Imperialismo” com diriam alguns, em campanha publicitária na década de 1930 popularizou o uso das cores hoje tradicionais. http://www.santaclausoffice.fi o site oficial do velhinho que está disponível em inglês e filandês.

Quem tiver curiosidade de conhecer o “verdadeiro” Papai Noel, ou melhor, Santa Claus, pode acessar o site

A AELN deseja um Feliz Natal e próspero ano novo para todos!

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