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abr 24, 2012 - Crônicas    No Comments

Literatura em segundo lugar

Por Titi Martins

Em muitos casos, para ter voz é necessário tomar decisões radicais. Quando a voz em tom civilizado não atinge aos ouvidos de quem merecia ouvir é necessário gritar, mesmo que em um manifesto silencioso. E foi isso que Carpinejar fez ao cancelar sua participação na Feira do Livro de Bento Gonçalves. Sendo esse um escritor gaúcho de renome nacional, viu que não havia necessidade de ser conivente com a falta de compostura para a organização de uma Feira de Livro.

O fato ocorrido na cidade da serra gaúcha, não é isolado veio à tona por envolver dinheiro, muito dinheiro. Como Patrono a edição de 2012 convidou Gabriel Pensador custeando a sua vinda ao valor de cento e setenta mil reais.

O artista é conhecido por sua música nacionalmente e tendo uma literatura a desabrochar ainda nas bancas gaúchas, mas enfim é uma celebridade. E o que uma prefeitura, em especial, em ano político quer?  Eleitor nunca é demais.

Em seu site, Gabriel Pensador publicou uma nota justificando o valor, desmembrando entre compra de livros seus e um show. Na introdução dada ao texto nota-se a postura do artista com o escrever bem, com a língua portuguesa, diz ele: To escrevendo em um teclado que nao sei usar direito e estou muito cansado pra aprender(!), entao vai assim, sem acento e mal escrito mesmo.   Caótico para um escritor!

Quanto citei que não é um caso isolado, refiro-me não aos gastos especificamente, e sim a despreparação de organizar os nomes e a programação de Feira de Livros. Nota-se que os objetivos maiores: formar leitores, atrair leitores e oportunizar a prática literária, tornam-se secundárias. Os holofotes estão voltados a fazer a propaganda da cidade. Primeiramente o nome da cidade depois os livros e os escritores.

Certamente, assim como em várias outras cidades, Bento Gonçalves preferiu ceder a patronagem do evento a alguém “famoso” do que usar a oportunidade para valorizar a literatura da cidade ou da região. Frequentemente nos deparamos com este fato no Litoral Norte Gaúcho.

Frequentemente veem-se Patronos que nunca escrevem ou participaram de um livro, e assim, antes mesmo de abrir suas portas as Feiras deixam uma enorme lacuna, uma prateleira vaga onde deveria estar às obras do nome maior do evento. E junto uma pergunta no escuro o que diria um patrono não literário se fosse a ele perguntado: Como foi para você escrever um livro? Qual sua dica a quem quer escrever o seu primeiro livro?

Há organizadores ainda que anulam o respeito à famosa palavra de locais destinados a leitura “silêncio” e tirar o som pacifico do folhear dos livros aos barulhentos instrumentos de show de rock. Ou ainda, vendem espaços para outros comerciantes.

Certamente, programar uma Feira do Livro é um trabalho complexo, mas que se realizado por amantes da literatura, tornará se antes de tudo prazeroso.

abr 4, 2012 - Crônicas    No Comments

Páscoa

Por Suely Braga

Osório, 31/03/2012.

Páscoa é vida. Vida é Ressurreição.Cristo veio “para que todos tenham vida e vida em abundância.”

A Páscoa é a maior comemoração dos cristãos. Cristo morreu e ressuscitou para redimir o mundo. Para perdoar os pecadores, ressuscitar os mortos, converter os infiéis, salvar os doentes. Pregou o amor, a fraternidade, a solidariedade, o perdão e a justiça. Perdoou Maria Madalena, ressuscitou Lázaro, curou os leprosos, acolheu as criancinhas. Percorreu com os apóstolos os caminhos de Jerusalém e finalmente foi condenado, morreu e ressuscitou para a salvação da humanidade.

Na Campanha da Fraternidade buscamos saúde para todos. Atualmente o que vemos em nosso país e na América Latina é o caos na saúde. A saúde está na UTI. Filas intermináveis, em todos os recantos, em busca de cura para seus males. Não há vagas nos hospitais. Os doentes ficam amontoados nos corredores, abandonados, sem possibilidades de atendimento. A saúde, os remédios custam muito caro e os planos de saúde têm um preço exorbitante.
Apesar das conquistas na medicina, do desenvolvimento da tecnologia, os carentes sem recursos financeiros não gozam destes benefícios e privilégios.

Saúde para todos. Como? Quando? Os recursos para a saúde são parcos. Os desvios e as falcatruas no SUS alcançam à casa dos milhões. A Páscoa, hoje virou uma data de consumismo. As propagandas na televisão intoxicam os pequenos e grandes. As fábricas de chocolate ampliam, a cada ano, suas produções.
Como o Papai no Natal, na Páscoa o coelho é o Rei.

A Ressurreição de Cristo não é lembrada nesta sociedade consumista. Vamos refletir sobre o verdadeiro sentido da Páscoa, participar das comemorações nas igrejas e nos reencontrar com Cristo Ressuscitado, que morreu pregado na cruz para nos salvar.


mar 21, 2012 - Crônicas    No Comments

Crescer dói

Por Evanise Gonçalves

Sim, crescer dói! Isso é uma constatação inegável.

Quando nasci chorei, mas a dor de nascer não me trouxe recordações futuras, não me lembro desse fato. A dor de que me lembro foi a dor de crescer, a primeira noite na casa da madrinha, ainda criancinha, de quatro ou cinco anos, a primeira vez longe da mãe. E a dor da insegurança no primeiro dia de aula.

Ah, sim… crescer dói, e muito . Também lembro de uma dor infantil, mas  inesquecível, quando um marimbondo me picou o dedo mindinho , eu estava ajudando meu pai a cortar as folhas da bananeira, já me sentia útil, crescida, mas quando o bichinho me picou,voltei a ser bebê, chorei, chorei.

Em outra ocasião, tinha oito anos, sofri, quando o primeiro amor platônico foi embora da cidade.

E fui crescendo, a dor não nos impede de crescer. A adolescência chegou e com ela as dores físicas e emocionais, talvez mais físicas, o corpo mudando, as primeiras cólicas, além das mudanças súbitas de humor que até então eram desconhecidas, mas passei no estágio para a fase adulta. Formatura, emoções, amores, separações, primeiro emprego. Nessa fase descobri que os amigos não são para sempre, que os empregos, por mais que esperamos, também são provisórios, e novamente me via recomeçar, novos amores, empregos, amizades…

Dores, dores. Sim, crescer dói. E veio a gravidez, as inseguranças, o fantasma do medo. Mas tudo correu bem, depois da pré-eclâpcia , parto prematuro de 27 semanas e meia , meu filho nasceu pequenino, mas saudável, 72 dias no hospital. Esse período foi o mais longo de espera e esperança, lágrimas incontidas. Só que o tempo e o medo passaram e voltei para casa feliz com meu filho nos braços. Não senti a dor do parto, mas quem vai negar que a cesariana dói, no primeiro dia, no segundo… na segunda semana, e às vezes, até no primeiro mês depois do parto.

É verdade, crescer dói. Mas não sentimos apenas dores, crescer também nos traz maturidade, serenidade, múltiplas alegrias.

E o tempo não para e continuou atropelando-me, sorvendo-me os dias, e a dor da perda do meu pai, trouxe-me as saudades da infância perdida, dos momentos felizes, a dor da perda trouxe-me a vontade desesperadora de voltar no tempo, de buscar o que nunca mais será possível, um abraço, uma palavra, uma voz longínqua que ecoa pela casa, uma risada sonora, inesquecível.

É, crescer dói, mas precisamos crescer e aprender com as perdas e ganhos como diz Lya Luft em seu livro que traz esse título. Crescer dói, mas precisamos ter coragem e perseverança para continuar a caminhada que nos foi presenteada por Deus: a vida.

mar 12, 2012 - Crônicas    No Comments

Obrigada AELN

Obrigada AELN.


Estava esperando a noite cair, pois ela sempre me foi companheira na hora de organizar as palavras, para escrever esta carta, que não sei bem se é de fato uma correspondência, talvez, apenas alguns dizeres em uma folha.


Chegado março! E segundo a crendice na companhia da preguiçinha brasileira é agora que o ano se inicia, e é neste mês que nos reencontramos que os nossos sábados passam a serem compartilhados. Ao certo, não tivemos um recesso, pois muitos encontraram – se pelas Feiras. E mesmo não estando em nenhum destes encontros, sei que foi regado de companheirismo, soma de aprendizagem e divisão de conhecimento.


Quero hoje, uma semana antes deste reencontro, agradecer.  Por um dia um grupo de escritores terem pensando  nos outros, naqueles que singelamente em suas casas rabiscavam algo. Escritores, esses que se uniam para fazer que o Litoral Norte tivesse cultura, arte, história e literatura. Essa ideia,  saiu da tentativa e chegou a realização.


Eu, uma menina, de uma cidade pequena, sem destaque entre as grandes do Litoral, conseguiu retirar do papel informar meus textos e transferi-los para as páginas de livros. É mágico, pensar que tenho um nome em uma bibliografia, que divido espaço em uma instituição com nomes de grande prestigio na nossa literatura. É gratificante ser interrompida por um aluno que pergunta: foi a senhora que escreveu O menino e eu?


Que hoje, quando estou prestes a montar os Planos de Estudos das turmas que leciono posso entre as literaturas trabalhadas colocar o nome de escritores que são amigos, posso, por exemplo, citar em sala de aula Delalves Costa e algum aluno dizer ele foi meu professor, Mário Feijó  e sentir que os alunos identificam de quem se fala que  conhecem  a sua competência. Deste modo, os apresentam algo próximo, visível aos seus olhos, oportuno que estejam próximo a quem lêem.


Levar à sala de aula obras de escritores da AELN, é ouvir um amigo/ colega ser elogiado. Recentemente, uma aluna da EJA leu Joelson Machado e disse: “ me senti no livro, ele conta coisas que eu vi, que eu sei bem como é”. Ano passado, os alunos sentiram seus olhos molhados ao lerem Minha avó que cheirava a talco  de Rosalva Rocha e Mãe faz uma falta de Leda Soares. A poesia de Rosalva, também invadiu a sala,  a aula eufórica perguntava quem é essa que escreve o que sentia naquele dia.  As corujas de Capão da Canoa, não são mais de Capão, são as Corujas Buraqueira de Artur dos Santos,  não houve aluno que não quisesse comentar sobre. No primeiro dia de aula deste ano, lemos  Suely Braga, usamos seu texto publicado na revista Doispontos para analisarmos o porque do descaso com a leitura, na seqüência li um poema da autora e uma aluna identificando- se com esse transferiu para as páginas de seu caderno. Os professores de História concretizam suas aulas citando Mariza Simon e Rodrigo Trespach, e os alunos ao ouvirem Trespach, sentem que a qualquer dia podem cruzar com esse na rua, pois sabem que ele está ali em Osório.  A poesia de Evanise Gonçalves, Solange Barbosa, Jorge Fernandes e Ulda Melo estão espalhadas pelos cadernos e corações dos alunos, pois foram escolhidas por eles para serem lida aos colegas.


Desejo um ano brilhante para nós que nos dedicamos a fazer que o Litoral Norte tenha/cresça na cultura. Que união seja uma das palavras que estejam em todos os nossos encontros. Que quem venha a presidir a instituição tenha ajuda dos colegas e que os governantes das cidades nos valorize nos reconheça.


Que possamos trazer novamente os colegas que se afastaram, entres esses, Rosalva Rocha que recentemente pediu licença e Jerri que já anunciou seu retorno.


Quem sabe seja este o ano para realizamos a conversação entre literatura e história!?


Sejamos grandes pela amizade e bons pela competência.
Obrigada a todos.
Titi Martins.
Março de 2012.

mar 7, 2012 - Crônicas    No Comments

A Gaveta dos Anjos

A Gaveta dos Anjos

Por Mário Feijó

Havia alguns anjos
Guardados em uma caixa
Dentro da minha gaveta

De repente a gaveta se abriu
A caixa caiu e os anjos
Estes fugiram da caixa!

O que é que eu faço
Com uma caixa quebrada
E sem meus anjos da guarda?

Estou como se tivessem
Roubado o sol do meu dia
As estrelas da minha noite
E meu céu sem furinhos estrelados

Também me roubaram a alegria
Até desaprendi de sorrir
Mas quando sorrio
Há tristeza no meu rosto…

dez 12, 2011 - Crônicas    No Comments

A 26.ª Feira do Livro de Osório

Por Suely Braga


Aquela sementinha plantada em terra fértil, nos idos anos de sessenta, pelos professores Benito Izolan e Iolanda Izolan, nas dependências do CTG Estância da Serra, germinou, cresceu, transformando-se numa grande árvore frondosa e frutífera.

Agora, de vinte e oito de novembro a três de dezembro de 2011, colhemos mais um fruto: a 26ª Feira do Livro de Osório que, depois de andar por muitos lugares no centro da cidade, nos últimos anos, fixou-se no Largo dos Estudantes Sônia Chemale.

É uma semana festiva. Ultimamente te se realizado junto com a Festa da Leitura das escolas municipais. Acontece na feira, nos últimos anos o Concurso Cataventos Literário com micro contos, poesias, crônicas e contos. Este ano já é o 4º., de contos e poesias, dirigido à Comunidade.

O Encontro dos escritores da Academia do Litoral Norte acontece em todas as Feiras de Livro do Litoral Norte.

A Feira do Livro é sempre o maior evento literário na cidade.

A população acorre do município e dos municípios vizinhos para participar e visitar a Feira.

Neste ano, houve uma participação muito grande das escolas. Pela manhã e em algumas tardes ocorreram: contação de histórias, oficinas de pintura, sopa de letrinhas, peças de teatro infantil, músicas para crianças, filmes animados, esquetes, sessão de autógrafos de livros infantis organizados pelas crianças com a orientação das professoras, hora da poesia, chá literário e atividades lúdicas. Tivemos duas manhãs de encontros com escritores e as crianças: uma com o poeta Luiz Coronel e outra com o escritor Pedro Bandeira.

À noite, realizavam-se bate papos e palestras com os escritores: Jerri de Almeida, Patrono da Feira, Pedro Bandeira Como conquistar o aluno que não gosta de ler? Literatura infanto-juvenil, Acy Cheuiche, Criação literária, Jane Tutikian A importância da leitura, Monika Papescu ilustração de livros, Leda Saraiva contos e lendas da região, Hilda A. H. Flores, A trajetória da mulher.

Aconteceram muitas sessões de autógrafos de lançamentos de livros e Coletâneas. Lançaram livros: o poeta Luiz de Miranda, Vozes o sul do mundo, Joaquim Mocks, Bula de remédios e Coletânea Joaquim Moncks e amigos com a participação de poetas osorienses,  Neida Rocha, Artigo Definido, Danilo, sua mochila e seus amigos, Pióca Salgado No Espelho-1º artigo da constituição do Reino de Deus, Marina Raymundo, As ruas de Osório. Lançamento e sessão de autógrafos da III Antologia da Academia dos escritores do Litoral Norte. Coletânea Aos ventos do mar e da lagoa, organizada pelo escritor Alcy Cheuiche com os contos dos oficinandos de Osório e do Litoral Norte, com a realização de formatura e coquetel.

Nos intervalos das manhãs, tardes e noites um gostoso cafezinho oferecido pela Cafeteira poética do IFRS, Campus Osório. Visitas das crianças e comunidades às seis estandes dos livreiros movimentou a Feira.

No meu ponto de vista, esta foi melhor Feira do que as anteriores por priorizar mais espaços para a Literatura. Foi a Festa da literatura com participação massiva das crianças e muita organização.

É na infância que se forma o leitor e desperta o prazer da leitura. Conforme disse o Patrono Jerri Almeida: “leitura expressa a mais notável possibilidade da liberdade humana, capaz de transcender o espaço, o tempo e a própria cultura”.

3.º Encontro dos ex-alunos e ex-professores do Colégio Conceição

Realizou-se dia oito de outubro, nas dependências do Grêmio Atlético Osoriense, (GAO), o 3º Encontro dos ex-alunos e ex-professores do Colégio Conceição. Estavam presentes alunos e professores de várias cidades do estado, lotando o salão. Foi uma festa muito bonita com um gostoso bife. Muitos abraços, beijos, emoção,fotos e cantos acompanhados do Grupo musical de Aloísio Adib, ex-aluno.

Eu participei como ex-aluna da 1ª turma de formandos do Colégio e como ex-professora de longos anos, até ele fechar as portas.

É uma alegria muito grande e gratificante os abraços e beijos daqueles que fizeram parte de minha vida e me chamarem de ” minha professora querida” ,” minha “musa”. Isto calou profundo no meu coração.

Encontrar as ex-colegas de turma,rever fotos antigas e até o diário de uma ex-colega já amarelo pela passagem do tempo, com nossas poesias e mensagens de recordação. É indescritível o que sentimos naquele momento. Quero prestar meu agradecimento à equipe organizadora que, não mediu esforços para proporcionar a todos com tanto carinho estes momentos de alegria e felicidade.

Por Suely Braga

A Independência do Brasil

A Independência do Brasil

Por Mariza Simon dos Santos

A maré de inovações e mudanças que invadiu a Europa após a Revolução Francesa (1789) também teve u m efeito devastador na então colônia de Portugal- o Brasil. Era uma população analfabeta, isolada do mundo da época e controlada rigidamente. Manufaturas e indústria grafica eram proibidas , como também jornais. Não havia circulação de idéias. Uma minoria tinha acesso a livros e até mesmo réu niões eram vigiadas e proibidas. De cem brasileiros só saibam ler e escrever cerca de dez .

Publicações de pensadores europeus , com idéias libertárias eram trazidas da Europa, onde alguns privilegiados haviam estudado, e alimentavam as reuniões secretas, como as da maçonaria. A partir do século XVIII surgiriam revoltas derivadas do conflito de interesses entre a colônia e Portugal chamadas de nativistas pelo seu caráter local, tendo á frente brasileiros nativos; a Revolta dos Beckman 1684); a Guerra dos Emboabas (1707, Minas Gerais); a Guerra dos Mascates (1710, Pernambuco); a Revolta de Felipe dos Santos (1720, Minas Gerais). As mais separatistas foram a Inconfidência Mineira (Vila Rica, 1789) e a Conjuração Baiana (Salvador ,1798) que evidenciaram uma certa consciência da posição colonialista.

A possibilidade de tornar-se um país independente era muita remota. O isolamento e as rivalidades entre grupos pobres e analfabetos (90% ) e uma minoria rica e intelectualizada de um país à beira da falência, sem exércitos,navios,armas e munições,prenunciava uma longa e sangrenta guerra contra os portugueses. Mas o anseio de liberdade crescia numa pequena elite já existente. O retorno a Lisboa (abril1821) de D.João VI deixou o país despojado de seus bens financeiros,guardados no Banco do Brasil e no Tesouro Real.Seu filho D.Pedro I, como Príncipe Regente encontrou os cofres vazios. Ao manter a chama acesa da independência brasileira D.Pedro I apelou para empréstimos estrangeiros( quando nasceu nossa dívida) e pela valorização fitícia do dinheiro (gerando inflação). Somou-se-se a este quadro político graves problemas econômicos, já que a produção açucareira e a mineração de ouro e diamantes estavam em decadência, apesar do incremento da produção do algodão.Estava sur gindo um novo eixo econômico no vale do Paraíba com a produção do café, uma riqueza que se expandiu.

Após o “grito da Independência” ( concepção artística, visualizada e proclamada pela pintura de Pedro Américo- o quadro “Independência do Brasil”) iniciou-se definitivamente o processo de separação de Portugal. O Brasil se apresentava como um binômio: um Brasil transformado pela presença da Corte Portuguesa, com algumas milhares de pessoas com requintes de refinamento, alojadas num vilarejo modesto e colonial(Rio de Janeiro); contráriamente havia brasileiros espalhados por um vasto territorio quase desconhecido, isolados e ignorantes. Não haviam elos de ligação entre estes dois Brasis., a não ser a aversão ao trabalho manual , dependente da mão de obra escrava. A situação brasileira nos anos seguintes foi muito delicada e exigiu habilidade política,na tentativa de não fraccionar o território, a exemplo das colônias que se separavam da Espanha.A Bahia manteve-se fiel à Coroa Portuguesa e também o Maranhão, Piauí, o Pará e o Amazonas. Após inúmeros conflitos foram sufocadas as rebeliões nestas Províncias, instalando-se uma relativa acomodação ao status quo.

Já se passaram 500 anos da descoberta do Brasil e cerca de quase 200 anos de nossa libertação da Coroa Portuguesa. No entanto, ainda hoje observamos um país bipartido, com lugares de alto padrão intelectualizado e lugare e segmentos sociais de homens e mulheres analfabetos. Temos uma imensa juventude semi-alfabetizada e atrasada. Temos um Brasil multicultural e de extensa territorialidade mas convivendo entre abismos sócio-culturais. Ainda não tomamos consciência de nossas deficiências e atrasos neste século XXI. Não enfrentamos decisivamente nosso pior inimigo: a ignorância cultural e o semi-analfabetismo. Canalizamos nossos esforços econômicos e sociais nos segmentos universitários e formamos jovens despreparados para erguer e projetar nosso país.Que projeto teremos para este nosso País, senão pensarmos e prepararmos as multidões de crianças e jovens para um futuro tão próximo? Desta maneira faremos a verdadeira Independência deste Brasil tão rico, privilegiado por uma Natureza exuberante, que responderá generosamente aos nossos esforços. Precisamos concretizar a verdadeira independência de nosso país.

jul 28, 2011 - Crônicas    No Comments

Pra quem chega ao fim da tarde

Pra quem chega ao fim da tarde
(inspirado na música O Festival, de Fernando Corona)
Por Cássia Message

Já assisti a Moenda de vários lugares: da arquibancada, das cadeiras, em dvd, pela internet… mas agora assisto de um lugar diferente e especial.

Nos finais de tarde de segunda-feira, assisto a Moenda dos seus bastidores, nas reuniões que precedem e que se seguem ao esperado final de semana de agosto. Reunidas, as pessoas que fazem com que este espetáculo aconteça e se repita são uma família: ao redor da mesa da pequena sala que serve de escritório para a Moenda, no Ginásio de Esportes, conversam, tomam chimarrão, discutem. Calculam, telefonam, trocam idéias. Comemoram cada pequena conquista, e superam as dificuldades. Brigam por suas idéias, lutam para que se faça sempre o melhor. Sonham.

Incontáveis detalhes têm que ser lembrados. Se a fé remove montanhas, é preciso muito trabalho para mover uma mesa de som, um jogo de luzes, um palco. É necessário que além da paixão – principal requisito para ser “moendeiro” -, haja garra, persistência e muita paciência. Sem falar em apoio, patrocínio e sorte, que não podem faltar.

Mas eles – e eu, que agora faço parte dessa família – não desistem nunca.

A cada segunda estamos um passo mais próximos da 24ª Moenda, e imagino as emoções que viveremos: aquele medo que antecede os grandes momentos da vida, a coragem que faz estes momentos acontecerem.

Penso na Carmem Monteiro, que neste texto representa cada um de nós. Qual será o segredo para que a razão prevaleça a despeito de todos os sentimentos envolvidos nessas três noites, que são preparadas com tantos pequenos e imprescindíveis cuidados?

No fim, só tenho um certeza: somos todos loucos!

E o resultado tá aí: tem gente que chora, tem gente que chora de rir’.

Mas essa loucura é normal.

Essa loucura é FESTIVAL!

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