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O Dia do Escritor Osoriense

Por Rodrigo Trespach
O Legislativo Municipal votou e aprovou por unanimidade na última segunda-feira, dia 14 de outubro, o Projeto de Lei nº 186/2013, de autoria do vereador Carlos Jaime Dalpaz, que institui o dia 8 de junho como o Dia do Escritor Osoriense. A ideia não é nova, já circulava nas reuniões de pauta para a revista Doispontos, do amigo Anderson Alves Costa, que recentemente lançou “Fragmentos e iluminuras do discurso pré-maturo”, pela editora Pragmatha, de Porto Alegre, e nos cafezinhos com o professor Jerri Roberto Almeida. Também havia consultado a direção da AELN – Academia de Escritores do Litoral Norte gaúcho antes de levar a proposta ao vereador.
Justifica-se a data por ser ela a data de nascimento de Antônio Stenzel Filho, escritor e historiador, autor de “A Vila da Serra (Conceição do Arroio): Sua descrição física, histórica. Usos e costumes até 1872”. Stenzel Filho foi o primeiro cidadão osoriense a ter uma obra publicada. Para usarmos a denominação gentílica preferida do saudoso Guido Muri, Stenzel Filho era “arroiense”. De corpo e alma. No próximo ano sua “A Vila da Serra” completa nove décadas! O livro, publicado em 1924, pela Livraria Globo de Porto Alegre, teve uma segunda edição impressa pela IEL/UCS/EST, em 1980.
Antônio Stenzel Filho nasceu na então Conceição do Arroio em 8 de junho de 1862, tendo falecido na mesma cidade em 4 de novembro de 1933. Filho do imigrante alemão Anton Stenzel, igualmente de notável colaboração para a cultura local, e de Maria Carlota dos Santos, Stenzel Filho casou em 12 de setembro de 1910 com Haydée Jacques de Oliveira. Não deixou descendência.
Além de ter sido escrivão do júri (1888), Tabelião e Escrivão de Órfãos (entre 1906 e 1922) e um dos idealizadores da Sociedade Beneficente São Francisco de Paula, criada em 1925, dedicou-se a atividade literária e cultural, tendo participado Sociedade Dramática e Recreativa Amor à Arte, cujo prédio sede fora construído por seu pai.
Como autor dramático escreveu e encenou “Mário”, “Cenas da Revolução” e “O Filho da lavadeira”. Durante a década de 1930, foi também o redator do jornal municipal “O Legendário”. Deixou ainda um manuscrito denominado “Apontamentos Históricos e Geográficos sobre Conceição do Arroio”.
No campo político, participou da Revolução Federalista (1893-1895) e foi, provisoriamente, Prefeito Municipal, em 1908.
Justifica-se assim, que o dia 08 de junho de 2014 marque a história da cidade com um evento alusivo aos 90 anos da publicação de “A Vila da Serra” e que esse dia seja lembrado pela comunidade como o “Dia do Escritor Osoriense”. Homenagem que se presta não somente a Antônio Stenzel Filho, mas a todos àqueles, antigos e novos, que têm colaborado com a divulgação da literatura como um todo e, em especial, a literatura produzida na cidade.
Parabéns ao vereador Dalpaz por levar adiante os anseios dos escritores da cidade, e a Câmara de Vereadores pela sensibilidade em aprovar o projeto. Aguardemos agora a sanção do prefeito.

 

AELN na Feira do Livro de Arroio do Sal

Por Leda Saraiva

Quarta-feira, dia 9 de outubro,  estivemos na VI Feira do Livro de Arroio do Sal, cujo Patrono é o escritor Carlos Urbim. Às 14 horas aconteceu a Oficina de poesia Coletiva Pintada e às 17 h30 min. Sarau cujo tema era Vinícius de Moraes. Estas atividades à cargo da AELN. Participou do Sarau, com A AELN, os integrantes da Poesia Mate e Prosa.

Compus um poema em homenagem aos 100 anos do grande poeta musical, Vinícios de Moraes, declamado por mim no Sarau:

Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes.

Vinícius, o poetinha.
Vinícius, o diplomata.
Vinícius, o escritor.
Vinícius canta o amor.

Vinícius e Tom Jobim:
A compor, a cantar:
Garota de Ipanema,
Bossa Nova.
Jovem Guarda.
Eu sei que vou te amar!…

E então, cantei, à capela, parte da canção: Eu sei que vou te amar…

Alguns registros fotográficos:

Oficina de Pintura coletiva e pintada.

Os oficineiros  Fernando e Cláudia tocaram,cantaram e encantaram com suas vozes e violão a canção de Vinícius de Moraes, AQUARELA:

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Com um lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho de papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.
Vai voando, contornando a imensa curva norte e sul
Vou com ela viajando Havaí,Pequim ou Istambul.
Pinto um barco à vela branco navegando
É tanto céu e mar num beijo azul.(…)

E a meninada mergulhou no mundo das tintas preenchendo a tela que se deixou cobrir de cores e imagens musicais.

maio 9, 2013 - Crônicas    No Comments

Altair Martins é vencedor do Prêmio Moacyr Scliar de Literatura

O Prêmio Moacyr Scliar de Literatura celebra, na próxima segunda-feira (13), a finalização da sua segunda etapa, lançada em 2012, e que teve a divulgação de seu vencedor em março deste ano. A cerimônia, que ocorre às 14h30min no Palácio Piratini, homenageia o escritor Altair Martins, premiado com seu livro de contos Enquanto água.

Publicado em 2011 pela Editora Record, o livro vencedor terá uma nova edição de 5 mil exemplares, impressos pela Corag e distribuídos gratuitamente na rede estadual de bibliotecas públicas e em pontos de cultura do Rio Grande do Sul. O autor Altair Martins ainda recebe o valor de R$ 150 mil e a editora responsável, R$ 30 mil pelos direitos de distribuição da obra. A comissão julgadora desta edição foi formada por Carlos Nejar, Charles Kiefer, Edson Cruz, Ivana Arruda Leite e Marcelino Freire.

O prêmio
Instituído em 2011, o Prêmio Moacyr Scliar de Literatura é realizado pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, por meio do Instituto Estadual do Livro (IEL) e da Associação Lígia Averbuck. O projeto conta ainda com o patrocínio da Petrobras e do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, apoio da Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas e da Agência Matriz. Ao homenagear uma de suas mais importantes personalidades literárias, o prêmio pretende fomentar a produção literária, incentivar escritores e contribuir com o enriquecimento e a qualificação dos acervos das bibliotecas públicas. Concorrem livros de poesia e de contos, publicados no Brasil e em língua portuguesa, de 01 de janeiro a 31 de dezembro, por autores nacionais, nos dois anos anteriores à edição de cada premiação. A cada edição, uma categoria é privilegiada: em 2011, Prêmio Moacyr Scliar de Literatura – Categoria Poesia; em 2012, Prêmio Moacyr Scliar de Literatura – Categoria Conto. Nos próximos anos, sempre haverá alternância: em um ano, poesia; no outro, conto.

O vencedor
Altair Martins nasceu em Porto Alegre, em 1975. É doutorando em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ministrou a disciplina de Conto no Curso Superior de Formação de Escritores da Unisinos. Foi vencedor do Prêmio Guimarães Rosa, da Radio France Internationale, por duas vezes (1994 e 1999). Ganhou também o Açorianos (2000 e 2009), o Josué Guimarães (2001), o Luiz Vilela (2000), entre outros. Em 2009,  ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura com o romance A parede no escuro. Tem textos publicados em Portugal, Itália, França e EUA. Em 2012,  o livro Enquanto água foi finalista do Prêmio Jabuti, na categoria contos e crônicas e ganhou o Prêmio Açorianos, na categoria contos.

Fonte: IEL

mar 6, 2013 - Crônicas    1 Comment

Lembranças, sonhos…o tempo…o vento…

Por Leda Saraiva Soares

Sentada na cadeira de balanço, tal qual Ana Terra de  “O Tempo e o Vento”, obra do grande escritor gaúcho, Érico Veríssimo, Candinha embala sonhos e lembranças,  misturadas à saudade de um tempo que a memória se empenha em não apagar.

Enquanto o vento nordeste brinca lá fora…

O relógio dourado, dependurado no centro da parede, sobre o grande espelho redondo, cercado por fotografias, marca o tempo que vai registrando a história da família. O espelho que já se integrara à parede, reflete imagens muito antigas e também as mais modernas, desafiando a memória da velha Cândida. Cobrindo a parede de tijolos à vista, lá estão muitas fotografias emolduradas, entre, elas algumas daqueles que já se foram e fitam os olhos de Candinha, no vai e vem  do balanço contínuo de sua cadeira.

Os filhos, netos e noras, imagens coloridas, estão ali emolduradas ao redor do relógio que, implacável, vai marcando cada minuto que passa.

O silêncio daquele momento a envolve. As imagens deixam as molduras, vêm até ela e passeiam pela sala feito fantasmas.

O relógio moderno não tem o “tic-tac” dos antigos, nem marca as horas com as constantes badaladas sonoras. Mas não deixa escapar um minuto!…

Tantas lembranças!… O silêncio que reina na sala leva Candinha a um  cochilo. Vê-se meio a uma festa que reúne toda a família. Uns tocam violão… Outros cantam… Outros conversam… As crianças correm fazendo uma algazarra que só elas sabem fazer. O chimarrão passa de mão em mão. As conversas se misturam. Vai sair um almoço daqueles! É preciso dar volume à voz para se fazer ouvir. Ela administra tudo com sua determinação e vivacidade. Vem o sobressalto. Acorda-se com seu próprio ronco.

A saudade aumenta e lembranças de um tempo chegam até sua alma: Por onde andará meu marido? Quanto tempo?

Meus filhos e minhas noras são maravilhosos, meus netos e netas nem se fala!… São carinhosos comigo. Nada me falta. Mas… Como é difícil viver sozinha sem aquela cumplicidade única que os casais que se amam desfrutam!…”

E os reveses que a vida lhe aprontara? Candinha começa a filosofar:

Por que sofremos?  Agora, com a idade avançada, no acalanto adulto e maduro de sua cadeira de balanço, longe da situação vivida, diante de seus olhos passa o teatro de sua vida. Só agora consegue analisar melhor as causas do sofrimento. Só agora começa a entender melhor: “É preciso administrar o orgulho, o preconceito, a falta de humildade, o rancor, o amor próprio, os princípios, a falta de simplicidade… A aceitação do outro como ele é. Mesmo sem entendê-lo, não podemos deixar de amá-lo. Não podemos julgar. Não sabemos o que o levou a agir do modo como age. É preciso conviver e administrar as diferenças. Orar muito. Vencer as barreiras do orgulho que nos aprisionam e não nos deixam falar com o coração. Em especial, trabalhar o diálogo. Complica-se demais a vida. Às vezes uma atitude, uma iniciativa, uma palavra, um gesto amoroso anulam o ressentimento, levam ao perdão. Este gesto simplificaria anos de sofrimento que afastam as pessoas que mais amamos de nosso convívio familiar ou social. Quanta perda de tempo!…”

E os sonhos? Será proibido sonhar?

Candinha sempre sonhou. Sempre acalantou sonhos em seu coração e lutou por eles. Nunca desistiu de seus sonhos. Mesmo que ninguém acreditasse neles. O importante é que ela acreditava. Lutava dentro das suas limitações, uma luta silenciosa, constante, dentro do seu tempo. E lá vinham as conquistas!… Nunca permitiu que alguém matasse seus sonhos. Isso acabaria com sua autoestima. E se lembrou do grande poeta Fernando Pessoa: “ Matar o sonho é matar-nos. É mutilar nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”

E o vai e vem da cadeira de balanço embala as lembranças e os sonhos de Candinha, enquanto o tempo vai passando, levado pelo vento…

jan 20, 2013 - Crônicas    No Comments

Em agonia

A literatura agoniza quando um texto é adaptado para facilitar a compreensão, esmagando assim a arte e a técnica do escritor. A literatura agoniza quando notamos que os pequenos e médios leitores querem apenas o humor efêmero, as tiras cômicas e a ilustração. A literatura tirita de frio, de tédio e espirra em meio à poeira das estantes abarrotadas de clássicos que já ninguém folha nem pega, porque acha sua linguagem difícil e prefere ficar a distância de dicionários. A literatura agoniza quando preferimos as novelas, os filmes, o tempo gasto em conversas fúteis e superficiais nas redes sociais a ficar lendo um bom livro. A literatura treme de febre, já moribunda quando ouve que já não sabemos o que de fato significa um bom livro. A literatura morre em nós, quando dissemos que não nos interessamos por ela, que não simpatizamos com ela, que não gostamos dela e que só nos aproximamos se formos obrigados para fins de provas de vestibular por pedagogos e professores de literatura “utópicos e ultrapassados”.

Precisamos salvar a literatura!

Evanise Gonçalves Bossle

jan 7, 2013 - Crônicas    No Comments

Contrastes

Por Evanise Gonçalves Bossle- 02/01/2013

Em uma dessas tantas tardes de verão fui visitar, em uma cidadezinha próxima, uns amigos que estão passando as férias na praia. Lá estavam amigos antigos e novos, de variadas idades. Em um dos canais da SKY, estava passando  um programa com clipes de músicas atuais, eu, como não posso ouvir música que já vou entrando no ritmo disposta a dançar, até convidei o pessoal . Mas para minha surpresa, nem mesmo as crianças estavam interessadas, as menores corriam pelo pátio em algazarra, as maiores sentadas, uma delas com o celular enviando mensagem, a outra, sentada ao computador no face book. Realmente, não havia muito que fazer. Então recorri à outra sala, onde estavam uns sete jovens reunidos, estranhamente num completo silêncio, pensei, então, tratar-se de alguma sessão de cinema, visto que, todos estavam compenetradíssimos de olhos na tela de 42 polegadas. Imaginem a minha surpresa, surpresa essa, que era apenas minha, as pessoas que viviam ali já estavam acostumadas. Eles, os jovens, estavam assistindo a um jogo em que dois deles disputavam um combate, um jogo do play station. Vendo a cena, voltei mentalmente ao meu tempo de juventude, no milênio passado, claro.

Minhas férias no litoral eram bem mais animadas, normalmente ficava em Torres, na casa da minha tia materna, ou em Imbé, onde veraneavam meus tios e primos paternos. Manhãs na praia até o meio-dia ou mais. Às tardes, enquanto os adultos dormiam em redes e cadeiras sob a sombra das árvores, após o almoço, nós saiamos a caminhar, ou ficávamos jogando vôlei. E a noite, como ainda éramos muito jovens para ir a casas noturnas de dança, ou a barzinhos a beira mar, fazíamos a nossa própria festa, ouvindo LPs da época, dançando na sala ou na varanda mesmo. Meu irmão tocava violão e eu cantava. Também inventávamos letras de música e passos de dança, imitando alguns dos filmes de John Travolta e Olívia Newton John, como “Nos Tempos da Brilhantina” e “Embalos de Sábado a Noite”, entre outros musicais. Quando chovia, o que não é nada raro no verão do litoral, jogávamos cartas, sempre com algum tipo de prenda, Lê-se hoje, “pagar mico” para quem perdesse. Era um tempo bom, de barulho, muita criatividade e alegria, sem as modernidades  como celulares, Playstation ou notebooks. Ainda hoje, quando visito minhas primas, relembramos aqueles momentos mágicos , que não voltam mais. Um amigo comentou, dia desses ,que sou excessivamente saudosista, mas como faz bem recordar bons momentos do passado. Percebo que a juventude de hoje, claro, existem exceções, não conhece a verdadeira essência de ser feliz sem essas modernidades, não conseguem sequer imaginar uma temporada de veraneio longe das redes sociais, dos celulares, dos jogos eletrônicos, dos Ipods, Ipads, Iphone, tablets e laptops…Conheço alguns jovens que nem sequer vão à praia, preferem ficar em frente ao computador enquanto o pessoal se diverte a beira  mar. Mas, como dizem , devemos sempre tentar conviver em harmonia com as diferenças, até mesmo as difíceis diferenças de idade e conflitos de gerações. Cada um que escolha como se divertir durante o veraneio no litoral, mas,”se beber,não dirija”. Feliz Ano Novo a todos os leitores!

nov 8, 2012 - Crônicas    No Comments

Você já visitou a Feira do Livro de Porto Alegre?

Você já visitou a Feira do Livro de Porto Alegre? Dia seis de novembro estive na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre. Os jacarandás estão floridos.

A revista da Feira está muito bem feita. Seria interessante que os organizadores de Feiras do Livro do Litoral Norte dessem uma olhada nesse material. Circulei por lá, consegui a programação, a revista e outro material de atividades culturais.

Entrei no Santander Cultural. Visitei a Mostra “Ponto Cego” de Miguel Rio Branco, aclamado o mais significativo artista brasileiro a se expressar com a fotografia, trajetória de quase 50 anos. Há também outros trabalhos seus de pintura, desenho, vídeo e outras modalidades. Vale uma visita.

Pretendia participar da tarde de autógrafos – Caio Riter (org.) “Costuras do Tempo”, a convite da colega Almeri. Não pude ficar,  tinha médico nessa hora.

Depois, encontrei-me com Mário Quintana e Carlos Drumond de Andrade. Sentei-me no banco com Mário Quintana. Carlos Drumond estava concentrado no livro que lia, nem percebeu minha presença…

Por Leda Saraiva Soares

out 8, 2012 - Crônicas    No Comments

Eleições 2012

Por Felipe Daer

Eleições municipais 2012. Mais uma vez, encerraram-se as celebrações da grande festa da democracia que é o ato do voto. Milhares de pessoas se dirigiram às urnas neste domingo “festivo”, muitos ainda alimentando a Esperança de que no janeiro próximo, as “coisas públicas”  sejam tratadas de maneira diferente. Mas nem todos têm ou alimentam esse tipo de Esperança.Não são poucos os que se manifestam com descrença no “processo”, certos de que “nada vai mudar”, ou que “é tudo uma grande perda de tempo”.

Meu relato se fundamenta, pois neste ano, fui convocado para participar do pleito eleitoral como mesário, e pude me certificar pessoalmente da grande onda de desânimo que toma conta da nossa comunidade de eleitores. Até mesmo as crianças que acompanham seus familiares, mesmo instigados e curiosos com o ato em si, já se manifestam negativamente quando se projetam como “eleitores do futuro”.

O direito do voto já não trás mais o grande significado simbólico e histórico que ele deveria comportar. Principalmente para a grande massa jovem que presencia, a cada dia, a imensa onda de corrupção que se retroalimenta com a participação de candidatos despreparados e desqualificados para representar publicamente uma comunidade, com o compromisso e seriedade que se fazem necessários ao cargo. A população se mostra cansada. O ato do voto se materializa, a cada pleito que passa, mais desprovido de sentido, de prazer…

Precisamos reaprender a votar. Precisamos resgatar a Fé e a Esperança numa cidade melhor, com políticos que representem fielmente as reais necessidades do todos. Precisamos reinventar o ato público que é votar para eleger nossos representantes. Precisamos ter mais Educação e Coragem… Precisamos lutar!!!

jun 18, 2012 - Crônicas    1 Comment

A rotina e o tempo

Por Evanise Bossle

É, parece até muito simples, mas não é, o dia a dia e a rotina, destroem até mesmo o melhor e mais poético dos romances. Aquele acordar, durante a semana, parece estranho, mas todos os dias são estranhamente iguais, a correria do trabalho, um engolir sem mastigar aquele almoço rápido, que mesmo sendo leve, pesa no estômago, irritadiço e contrariado. O difícil mesmo são os finais de tarde e os finais de semana, sem assunto, muitos afazeres, sem convicção e a estranha separação, um estranhamento mudo, aquela incógnita “quem é você agora, e quem sou eu agora”, não me reconheço e nem lhe conheço mais, a rotina nos mudou. E aqueles sonhos infantis, as promessas juvenis? Aqueles planos em conjunto que não existem mais  se perderam no tempo, que é feito de segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos, e anos, e anos. E assim … certa manhã olho pelo espelho,não mais meu reflexo, mas uma estrada longínqua feita de datas vazias que se foram e não mais voltarão. E em meio a divagações  e desilusões  típicas da meia idade, percebo que me perdi  em uma dessas esquinas sem nome e sem lógica, e um vazio me invade mais e mais e mais. E percebo que o tempo passou e passou  e passou …

abr 26, 2012 - Crônicas    No Comments

Leitura, leitura e leitura

Por Leda Saraiva Soares

Dia 18 de abril foi o dia Nacional do Livro Infantil e 23 de abril dia Internacional do Livro.
Lendo o jornal deparei-me com a seguinte sugestão para  o incentivo da leitura: cada pessoa preocupada com o desenvolvimento de seu próximo, deveria esquece um livro em algum lugar por onde andasse. Achei interessante essa campanha, mas eu já vinha fazendo isso, mesmo sem pensar em dia do livro.

Certa vez estava na sala de espera de um Hospital, para visitar um doente. Levava comigo a Antologia da AELN Gaúcho na qual tenho participação. Deixei este livro a fazer companhia às revistas que estavam por ali. Alguém deve tê-lo manuseado e lido, porque em sala de espera, lê-se até panfletos… E muitas outras pessoas mais devem tê-lo lido. Pior é quando se apaixonam pelo livro e o levam para casa… Tenho colocado meus livros nos consultórios médicos, no Café do supermercado Nacional de Imbé… Por onde ando, sempre esqueço algum livro  que há de ser lido por algum vivente.

Para ilustrar o que afirmo acima, pincei apenas uma amostra  de uma entrevista que concedeu à Zero Hora, o palestrante do “Fronteiras do Pensamento” – economista e professor, Amartya Sem – dedicado ao estudo de temas como pobreza, subdesenvolvimento e história econômica de países atrasados (o Prêmio Nobel de Economia de 1998), considera que, na raiz desses e de outros fenômenos, há uma carência comum: a liberdade(…) Liberdade de ler e escrever, que é valiosa por si só, ajuda a progredir no emprego e ganhar renda. E  eu acrescentaria: Essa liberdade, aliada à qualificação profissional é o meio mais eficaz de desenvolvimento. E a Copa vem aí!…

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