Archive for the ‘Crônicas’ Category

Obrigada AELN

segunda-feira, março 12th, 2012

Obrigada AELN.


Estava esperando a noite cair, pois ela sempre me foi companheira na hora de organizar as palavras, para escrever esta carta, que não sei bem se é de fato uma correspondência, talvez, apenas alguns dizeres em uma folha.


Chegado março! E segundo a crendice na companhia da preguiçinha brasileira é agora que o ano se inicia, e é neste mês que nos reencontramos que os nossos sábados passam a serem compartilhados. Ao certo, não tivemos um recesso, pois muitos encontraram – se pelas Feiras. E mesmo não estando em nenhum destes encontros, sei que foi regado de companheirismo, soma de aprendizagem e divisão de conhecimento.


Quero hoje, uma semana antes deste reencontro, agradecer.  Por um dia um grupo de escritores terem pensando  nos outros, naqueles que singelamente em suas casas rabiscavam algo. Escritores, esses que se uniam para fazer que o Litoral Norte tivesse cultura, arte, história e literatura. Essa ideia,  saiu da tentativa e chegou a realização.


Eu, uma menina, de uma cidade pequena, sem destaque entre as grandes do Litoral, conseguiu retirar do papel informar meus textos e transferi-los para as páginas de livros. É mágico, pensar que tenho um nome em uma bibliografia, que divido espaço em uma instituição com nomes de grande prestigio na nossa literatura. É gratificante ser interrompida por um aluno que pergunta: foi a senhora que escreveu O menino e eu?


Que hoje, quando estou prestes a montar os Planos de Estudos das turmas que leciono posso entre as literaturas trabalhadas colocar o nome de escritores que são amigos, posso, por exemplo, citar em sala de aula Delalves Costa e algum aluno dizer ele foi meu professor, Mário Feijó  e sentir que os alunos identificam de quem se fala que  conhecem  a sua competência. Deste modo, os apresentam algo próximo, visível aos seus olhos, oportuno que estejam próximo a quem lêem.


Levar à sala de aula obras de escritores da AELN, é ouvir um amigo/ colega ser elogiado. Recentemente, uma aluna da EJA leu Joelson Machado e disse: “ me senti no livro, ele conta coisas que eu vi, que eu sei bem como é”. Ano passado, os alunos sentiram seus olhos molhados ao lerem Minha avó que cheirava a talco  de Rosalva Rocha e Mãe faz uma falta de Leda Soares. A poesia de Rosalva, também invadiu a sala,  a aula eufórica perguntava quem é essa que escreve o que sentia naquele dia.  As corujas de Capão da Canoa, não são mais de Capão, são as Corujas Buraqueira de Artur dos Santos,  não houve aluno que não quisesse comentar sobre. No primeiro dia de aula deste ano, lemos  Suely Braga, usamos seu texto publicado na revista Doispontos para analisarmos o porque do descaso com a leitura, na seqüência li um poema da autora e uma aluna identificando- se com esse transferiu para as páginas de seu caderno. Os professores de História concretizam suas aulas citando Mariza Simon e Rodrigo Trespach, e os alunos ao ouvirem Trespach, sentem que a qualquer dia podem cruzar com esse na rua, pois sabem que ele está ali em Osório.  A poesia de Evanise Gonçalves, Solange Barbosa, Jorge Fernandes e Ulda Melo estão espalhadas pelos cadernos e corações dos alunos, pois foram escolhidas por eles para serem lida aos colegas.


Desejo um ano brilhante para nós que nos dedicamos a fazer que o Litoral Norte tenha/cresça na cultura. Que união seja uma das palavras que estejam em todos os nossos encontros. Que quem venha a presidir a instituição tenha ajuda dos colegas e que os governantes das cidades nos valorize nos reconheça.


Que possamos trazer novamente os colegas que se afastaram, entres esses, Rosalva Rocha que recentemente pediu licença e Jerri que já anunciou seu retorno.


Quem sabe seja este o ano para realizamos a conversação entre literatura e história!?


Sejamos grandes pela amizade e bons pela competência.
Obrigada a todos.
Titi Martins.
Março de 2012.

0
Posted in Crônicas |

A Gaveta dos Anjos

quarta-feira, março 7th, 2012

A Gaveta dos Anjos

Por Mário Feijó

Havia alguns anjos
Guardados em uma caixa
Dentro da minha gaveta

De repente a gaveta se abriu
A caixa caiu e os anjos
Estes fugiram da caixa!

O que é que eu faço
Com uma caixa quebrada
E sem meus anjos da guarda?

Estou como se tivessem
Roubado o sol do meu dia
As estrelas da minha noite
E meu céu sem furinhos estrelados

Também me roubaram a alegria
Até desaprendi de sorrir
Mas quando sorrio
Há tristeza no meu rosto…

0
Posted in Crônicas |

A 26.ª Feira do Livro de Osório

segunda-feira, dezembro 12th, 2011

Por Suely Braga


Aquela sementinha plantada em terra fértil, nos idos anos de sessenta, pelos professores Benito Izolan e Iolanda Izolan, nas dependências do CTG Estância da Serra, germinou, cresceu, transformando-se numa grande árvore frondosa e frutífera.

Agora, de vinte e oito de novembro a três de dezembro de 2011, colhemos mais um fruto: a 26ª Feira do Livro de Osório que, depois de andar por muitos lugares no centro da cidade, nos últimos anos, fixou-se no Largo dos Estudantes Sônia Chemale.

É uma semana festiva. Ultimamente te se realizado junto com a Festa da Leitura das escolas municipais. Acontece na feira, nos últimos anos o Concurso Cataventos Literário com micro contos, poesias, crônicas e contos. Este ano já é o 4º., de contos e poesias, dirigido à Comunidade.

O Encontro dos escritores da Academia do Litoral Norte acontece em todas as Feiras de Livro do Litoral Norte.

A Feira do Livro é sempre o maior evento literário na cidade.

A população acorre do município e dos municípios vizinhos para participar e visitar a Feira.

Neste ano, houve uma participação muito grande das escolas. Pela manhã e em algumas tardes ocorreram: contação de histórias, oficinas de pintura, sopa de letrinhas, peças de teatro infantil, músicas para crianças, filmes animados, esquetes, sessão de autógrafos de livros infantis organizados pelas crianças com a orientação das professoras, hora da poesia, chá literário e atividades lúdicas. Tivemos duas manhãs de encontros com escritores e as crianças: uma com o poeta Luiz Coronel e outra com o escritor Pedro Bandeira.

À noite, realizavam-se bate papos e palestras com os escritores: Jerri de Almeida, Patrono da Feira, Pedro Bandeira Como conquistar o aluno que não gosta de ler? Literatura infanto-juvenil, Acy Cheuiche, Criação literária, Jane Tutikian A importância da leitura, Monika Papescu ilustração de livros, Leda Saraiva contos e lendas da região, Hilda A. H. Flores, A trajetória da mulher.

Aconteceram muitas sessões de autógrafos de lançamentos de livros e Coletâneas. Lançaram livros: o poeta Luiz de Miranda, Vozes o sul do mundo, Joaquim Mocks, Bula de remédios e Coletânea Joaquim Moncks e amigos com a participação de poetas osorienses,  Neida Rocha, Artigo Definido, Danilo, sua mochila e seus amigos, Pióca Salgado No Espelho-1º artigo da constituição do Reino de Deus, Marina Raymundo, As ruas de Osório. Lançamento e sessão de autógrafos da III Antologia da Academia dos escritores do Litoral Norte. Coletânea Aos ventos do mar e da lagoa, organizada pelo escritor Alcy Cheuiche com os contos dos oficinandos de Osório e do Litoral Norte, com a realização de formatura e coquetel.

Nos intervalos das manhãs, tardes e noites um gostoso cafezinho oferecido pela Cafeteira poética do IFRS, Campus Osório. Visitas das crianças e comunidades às seis estandes dos livreiros movimentou a Feira.

No meu ponto de vista, esta foi melhor Feira do que as anteriores por priorizar mais espaços para a Literatura. Foi a Festa da literatura com participação massiva das crianças e muita organização.

É na infância que se forma o leitor e desperta o prazer da leitura. Conforme disse o Patrono Jerri Almeida: “leitura expressa a mais notável possibilidade da liberdade humana, capaz de transcender o espaço, o tempo e a própria cultura”.

0
Posted in Crônicas |

3.º Encontro dos ex-alunos e ex-professores do Colégio Conceição

segunda-feira, outubro 10th, 2011

Realizou-se dia oito de outubro, nas dependências do Grêmio Atlético Osoriense, (GAO), o 3º Encontro dos ex-alunos e ex-professores do Colégio Conceição. Estavam presentes alunos e professores de várias cidades do estado, lotando o salão. Foi uma festa muito bonita com um gostoso bife. Muitos abraços, beijos, emoção,fotos e cantos acompanhados do Grupo musical de Aloísio Adib, ex-aluno.

Eu participei como ex-aluna da 1ª turma de formandos do Colégio e como ex-professora de longos anos, até ele fechar as portas.

É uma alegria muito grande e gratificante os abraços e beijos daqueles que fizeram parte de minha vida e me chamarem de ” minha professora querida” ,” minha “musa”. Isto calou profundo no meu coração.

Encontrar as ex-colegas de turma,rever fotos antigas e até o diário de uma ex-colega já amarelo pela passagem do tempo, com nossas poesias e mensagens de recordação. É indescritível o que sentimos naquele momento. Quero prestar meu agradecimento à equipe organizadora que, não mediu esforços para proporcionar a todos com tanto carinho estes momentos de alegria e felicidade.

Por Suely Braga

0

A Independência do Brasil

quinta-feira, setembro 15th, 2011

A Independência do Brasil

Por Mariza Simon dos Santos

A maré de inovações e mudanças que invadiu a Europa após a Revolução Francesa (1789) também teve u m efeito devastador na então colônia de Portugal- o Brasil. Era uma população analfabeta, isolada do mundo da época e controlada rigidamente. Manufaturas e indústria grafica eram proibidas , como também jornais. Não havia circulação de idéias. Uma minoria tinha acesso a livros e até mesmo réu niões eram vigiadas e proibidas. De cem brasileiros só saibam ler e escrever cerca de dez .

Publicações de pensadores europeus , com idéias libertárias eram trazidas da Europa, onde alguns privilegiados haviam estudado, e alimentavam as reuniões secretas, como as da maçonaria. A partir do século XVIII surgiriam revoltas derivadas do conflito de interesses entre a colônia e Portugal chamadas de nativistas pelo seu caráter local, tendo á frente brasileiros nativos; a Revolta dos Beckman 1684); a Guerra dos Emboabas (1707, Minas Gerais); a Guerra dos Mascates (1710, Pernambuco); a Revolta de Felipe dos Santos (1720, Minas Gerais). As mais separatistas foram a Inconfidência Mineira (Vila Rica, 1789) e a Conjuração Baiana (Salvador ,1798) que evidenciaram uma certa consciência da posição colonialista.

A possibilidade de tornar-se um país independente era muita remota. O isolamento e as rivalidades entre grupos pobres e analfabetos (90% ) e uma minoria rica e intelectualizada de um país à beira da falência, sem exércitos,navios,armas e munições,prenunciava uma longa e sangrenta guerra contra os portugueses. Mas o anseio de liberdade crescia numa pequena elite já existente. O retorno a Lisboa (abril1821) de D.João VI deixou o país despojado de seus bens financeiros,guardados no Banco do Brasil e no Tesouro Real.Seu filho D.Pedro I, como Príncipe Regente encontrou os cofres vazios. Ao manter a chama acesa da independência brasileira D.Pedro I apelou para empréstimos estrangeiros( quando nasceu nossa dívida) e pela valorização fitícia do dinheiro (gerando inflação). Somou-se-se a este quadro político graves problemas econômicos, já que a produção açucareira e a mineração de ouro e diamantes estavam em decadência, apesar do incremento da produção do algodão.Estava sur gindo um novo eixo econômico no vale do Paraíba com a produção do café, uma riqueza que se expandiu.

Após o “grito da Independência” ( concepção artística, visualizada e proclamada pela pintura de Pedro Américo- o quadro “Independência do Brasil”) iniciou-se definitivamente o processo de separação de Portugal. O Brasil se apresentava como um binômio: um Brasil transformado pela presença da Corte Portuguesa, com algumas milhares de pessoas com requintes de refinamento, alojadas num vilarejo modesto e colonial(Rio de Janeiro); contráriamente havia brasileiros espalhados por um vasto territorio quase desconhecido, isolados e ignorantes. Não haviam elos de ligação entre estes dois Brasis., a não ser a aversão ao trabalho manual , dependente da mão de obra escrava. A situação brasileira nos anos seguintes foi muito delicada e exigiu habilidade política,na tentativa de não fraccionar o território, a exemplo das colônias que se separavam da Espanha.A Bahia manteve-se fiel à Coroa Portuguesa e também o Maranhão, Piauí, o Pará e o Amazonas. Após inúmeros conflitos foram sufocadas as rebeliões nestas Províncias, instalando-se uma relativa acomodação ao status quo.

Já se passaram 500 anos da descoberta do Brasil e cerca de quase 200 anos de nossa libertação da Coroa Portuguesa. No entanto, ainda hoje observamos um país bipartido, com lugares de alto padrão intelectualizado e lugare e segmentos sociais de homens e mulheres analfabetos. Temos uma imensa juventude semi-alfabetizada e atrasada. Temos um Brasil multicultural e de extensa territorialidade mas convivendo entre abismos sócio-culturais. Ainda não tomamos consciência de nossas deficiências e atrasos neste século XXI. Não enfrentamos decisivamente nosso pior inimigo: a ignorância cultural e o semi-analfabetismo. Canalizamos nossos esforços econômicos e sociais nos segmentos universitários e formamos jovens despreparados para erguer e projetar nosso país.Que projeto teremos para este nosso País, senão pensarmos e prepararmos as multidões de crianças e jovens para um futuro tão próximo? Desta maneira faremos a verdadeira Independência deste Brasil tão rico, privilegiado por uma Natureza exuberante, que responderá generosamente aos nossos esforços. Precisamos concretizar a verdadeira independência de nosso país.

0