Obrigada AELN.
Estava esperando a noite cair, pois ela sempre me foi companheira na hora de organizar as palavras, para escrever esta carta, que não sei bem se é de fato uma correspondência, talvez, apenas alguns dizeres em uma folha.
Chegado março! E segundo a crendice na companhia da preguiçinha brasileira é agora que o ano se inicia, e é neste mês que nos reencontramos que os nossos sábados passam a serem compartilhados. Ao certo, não tivemos um recesso, pois muitos encontraram – se pelas Feiras. E mesmo não estando em nenhum destes encontros, sei que foi regado de companheirismo, soma de aprendizagem e divisão de conhecimento.
Quero hoje, uma semana antes deste reencontro, agradecer. Por um dia um grupo de escritores terem pensando nos outros, naqueles que singelamente em suas casas rabiscavam algo. Escritores, esses que se uniam para fazer que o Litoral Norte tivesse cultura, arte, história e literatura. Essa ideia, saiu da tentativa e chegou a realização.
Eu, uma menina, de uma cidade pequena, sem destaque entre as grandes do Litoral, conseguiu retirar do papel informar meus textos e transferi-los para as páginas de livros. É mágico, pensar que tenho um nome em uma bibliografia, que divido espaço em uma instituição com nomes de grande prestigio na nossa literatura. É gratificante ser interrompida por um aluno que pergunta: foi a senhora que escreveu O menino e eu?
Que hoje, quando estou prestes a montar os Planos de Estudos das turmas que leciono posso entre as literaturas trabalhadas colocar o nome de escritores que são amigos, posso, por exemplo, citar em sala de aula Delalves Costa e algum aluno dizer ele foi meu professor, Mário Feijó e sentir que os alunos identificam de quem se fala que conhecem a sua competência. Deste modo, os apresentam algo próximo, visível aos seus olhos, oportuno que estejam próximo a quem lêem.
Levar à sala de aula obras de escritores da AELN, é ouvir um amigo/ colega ser elogiado. Recentemente, uma aluna da EJA leu Joelson Machado e disse: “ me senti no livro, ele conta coisas que eu vi, que eu sei bem como é”. Ano passado, os alunos sentiram seus olhos molhados ao lerem Minha avó que cheirava a talco de Rosalva Rocha e Mãe faz uma falta de Leda Soares. A poesia de Rosalva, também invadiu a sala, a aula eufórica perguntava quem é essa que escreve o que sentia naquele dia. As corujas de Capão da Canoa, não são mais de Capão, são as Corujas Buraqueira de Artur dos Santos, não houve aluno que não quisesse comentar sobre. No primeiro dia de aula deste ano, lemos Suely Braga, usamos seu texto publicado na revista Doispontos para analisarmos o porque do descaso com a leitura, na seqüência li um poema da autora e uma aluna identificando- se com esse transferiu para as páginas de seu caderno. Os professores de História concretizam suas aulas citando Mariza Simon e Rodrigo Trespach, e os alunos ao ouvirem Trespach, sentem que a qualquer dia podem cruzar com esse na rua, pois sabem que ele está ali em Osório. A poesia de Evanise Gonçalves, Solange Barbosa, Jorge Fernandes e Ulda Melo estão espalhadas pelos cadernos e corações dos alunos, pois foram escolhidas por eles para serem lida aos colegas.
Desejo um ano brilhante para nós que nos dedicamos a fazer que o Litoral Norte tenha/cresça na cultura. Que união seja uma das palavras que estejam em todos os nossos encontros. Que quem venha a presidir a instituição tenha ajuda dos colegas e que os governantes das cidades nos valorize nos reconheça.
Que possamos trazer novamente os colegas que se afastaram, entres esses, Rosalva Rocha que recentemente pediu licença e Jerri que já anunciou seu retorno.
Quem sabe seja este o ano para realizamos a conversação entre literatura e história!?
Sejamos grandes pela amizade e bons pela competência.
Obrigada a todos.
Titi Martins.
Março de 2012.
