Archive for the ‘Crônicas’ Category

Leitura, leitura e leitura

quinta-feira, abril 26th, 2012

Por Leda Saraiva Soares

Dia 18 de abril foi o dia Nacional do Livro Infantil e 23 de abril dia Internacional do Livro.
Lendo o jornal deparei-me com a seguinte sugestão para  o incentivo da leitura: cada pessoa preocupada com o desenvolvimento de seu próximo, deveria esquece um livro em algum lugar por onde andasse. Achei interessante essa campanha, mas eu já vinha fazendo isso, mesmo sem pensar em dia do livro.

Certa vez estava na sala de espera de um Hospital, para visitar um doente. Levava comigo a Antologia da AELN Gaúcho na qual tenho participação. Deixei este livro a fazer companhia às revistas que estavam por ali. Alguém deve tê-lo manuseado e lido, porque em sala de espera, lê-se até panfletos… E muitas outras pessoas mais devem tê-lo lido. Pior é quando se apaixonam pelo livro e o levam para casa… Tenho colocado meus livros nos consultórios médicos, no Café do supermercado Nacional de Imbé… Por onde ando, sempre esqueço algum livro  que há de ser lido por algum vivente.

Para ilustrar o que afirmo acima, pincei apenas uma amostra  de uma entrevista que concedeu à Zero Hora, o palestrante do “Fronteiras do Pensamento” – economista e professor, Amartya Sem – dedicado ao estudo de temas como pobreza, subdesenvolvimento e história econômica de países atrasados (o Prêmio Nobel de Economia de 1998), considera que, na raiz desses e de outros fenômenos, há uma carência comum: a liberdade(…) Liberdade de ler e escrever, que é valiosa por si só, ajuda a progredir no emprego e ganhar renda. E  eu acrescentaria: Essa liberdade, aliada à qualificação profissional é o meio mais eficaz de desenvolvimento. E a Copa vem aí!…

0
Posted in Crônicas |

Literatura em segundo lugar

terça-feira, abril 24th, 2012

Por Titi Martins

Em muitos casos, para ter voz é necessário tomar decisões radicais. Quando a voz em tom civilizado não atinge aos ouvidos de quem merecia ouvir é necessário gritar, mesmo que em um manifesto silencioso. E foi isso que Carpinejar fez ao cancelar sua participação na Feira do Livro de Bento Gonçalves. Sendo esse um escritor gaúcho de renome nacional, viu que não havia necessidade de ser conivente com a falta de compostura para a organização de uma Feira de Livro.

O fato ocorrido na cidade da serra gaúcha, não é isolado veio à tona por envolver dinheiro, muito dinheiro. Como Patrono a edição de 2012 convidou Gabriel Pensador custeando a sua vinda ao valor de cento e setenta mil reais.

O artista é conhecido por sua música nacionalmente e tendo uma literatura a desabrochar ainda nas bancas gaúchas, mas enfim é uma celebridade. E o que uma prefeitura, em especial, em ano político quer?  Eleitor nunca é demais.

Em seu site, Gabriel Pensador publicou uma nota justificando o valor, desmembrando entre compra de livros seus e um show. Na introdução dada ao texto nota-se a postura do artista com o escrever bem, com a língua portuguesa, diz ele: To escrevendo em um teclado que nao sei usar direito e estou muito cansado pra aprender(!), entao vai assim, sem acento e mal escrito mesmo.   Caótico para um escritor!

Quanto citei que não é um caso isolado, refiro-me não aos gastos especificamente, e sim a despreparação de organizar os nomes e a programação de Feira de Livros. Nota-se que os objetivos maiores: formar leitores, atrair leitores e oportunizar a prática literária, tornam-se secundárias. Os holofotes estão voltados a fazer a propaganda da cidade. Primeiramente o nome da cidade depois os livros e os escritores.

Certamente, assim como em várias outras cidades, Bento Gonçalves preferiu ceder a patronagem do evento a alguém “famoso” do que usar a oportunidade para valorizar a literatura da cidade ou da região. Frequentemente nos deparamos com este fato no Litoral Norte Gaúcho.

Frequentemente veem-se Patronos que nunca escrevem ou participaram de um livro, e assim, antes mesmo de abrir suas portas as Feiras deixam uma enorme lacuna, uma prateleira vaga onde deveria estar às obras do nome maior do evento. E junto uma pergunta no escuro o que diria um patrono não literário se fosse a ele perguntado: Como foi para você escrever um livro? Qual sua dica a quem quer escrever o seu primeiro livro?

Há organizadores ainda que anulam o respeito à famosa palavra de locais destinados a leitura “silêncio” e tirar o som pacifico do folhear dos livros aos barulhentos instrumentos de show de rock. Ou ainda, vendem espaços para outros comerciantes.

Certamente, programar uma Feira do Livro é um trabalho complexo, mas que se realizado por amantes da literatura, tornará se antes de tudo prazeroso.

0
Posted in Crônicas |

Páscoa

quarta-feira, abril 4th, 2012

Por Suely Braga

Osório, 31/03/2012.

Páscoa é vida. Vida é Ressurreição.Cristo veio “para que todos tenham vida e vida em abundância.”

A Páscoa é a maior comemoração dos cristãos. Cristo morreu e ressuscitou para redimir o mundo. Para perdoar os pecadores, ressuscitar os mortos, converter os infiéis, salvar os doentes. Pregou o amor, a fraternidade, a solidariedade, o perdão e a justiça. Perdoou Maria Madalena, ressuscitou Lázaro, curou os leprosos, acolheu as criancinhas. Percorreu com os apóstolos os caminhos de Jerusalém e finalmente foi condenado, morreu e ressuscitou para a salvação da humanidade.

Na Campanha da Fraternidade buscamos saúde para todos. Atualmente o que vemos em nosso país e na América Latina é o caos na saúde. A saúde está na UTI. Filas intermináveis, em todos os recantos, em busca de cura para seus males. Não há vagas nos hospitais. Os doentes ficam amontoados nos corredores, abandonados, sem possibilidades de atendimento. A saúde, os remédios custam muito caro e os planos de saúde têm um preço exorbitante.
Apesar das conquistas na medicina, do desenvolvimento da tecnologia, os carentes sem recursos financeiros não gozam destes benefícios e privilégios.

Saúde para todos. Como? Quando? Os recursos para a saúde são parcos. Os desvios e as falcatruas no SUS alcançam à casa dos milhões. A Páscoa, hoje virou uma data de consumismo. As propagandas na televisão intoxicam os pequenos e grandes. As fábricas de chocolate ampliam, a cada ano, suas produções.
Como o Papai no Natal, na Páscoa o coelho é o Rei.

A Ressurreição de Cristo não é lembrada nesta sociedade consumista. Vamos refletir sobre o verdadeiro sentido da Páscoa, participar das comemorações nas igrejas e nos reencontrar com Cristo Ressuscitado, que morreu pregado na cruz para nos salvar.


0
Posted in Crônicas |

AELN na Feira do livro de Capão da Canoa

segunda-feira, abril 2nd, 2012

A 6.ª Feira do Livro de Capão da Canoa segue até o próximo dia  08 de abril. A AELN participou no domingo, dia 01 de abril, no já tradicional Encontro dos Escritores da AELN em bate-papo com a patrona Jane Tutikian. O evento ocorre no palco central da Feira.

Fonte: Assessoria de Imprensa AELN.

0

Crescer dói

quarta-feira, março 21st, 2012

Por Evanise Gonçalves

Sim, crescer dói! Isso é uma constatação inegável.

Quando nasci chorei, mas a dor de nascer não me trouxe recordações futuras, não me lembro desse fato. A dor de que me lembro foi a dor de crescer, a primeira noite na casa da madrinha, ainda criancinha, de quatro ou cinco anos, a primeira vez longe da mãe. E a dor da insegurança no primeiro dia de aula.

Ah, sim… crescer dói, e muito . Também lembro de uma dor infantil, mas  inesquecível, quando um marimbondo me picou o dedo mindinho , eu estava ajudando meu pai a cortar as folhas da bananeira, já me sentia útil, crescida, mas quando o bichinho me picou,voltei a ser bebê, chorei, chorei.

Em outra ocasião, tinha oito anos, sofri, quando o primeiro amor platônico foi embora da cidade.

E fui crescendo, a dor não nos impede de crescer. A adolescência chegou e com ela as dores físicas e emocionais, talvez mais físicas, o corpo mudando, as primeiras cólicas, além das mudanças súbitas de humor que até então eram desconhecidas, mas passei no estágio para a fase adulta. Formatura, emoções, amores, separações, primeiro emprego. Nessa fase descobri que os amigos não são para sempre, que os empregos, por mais que esperamos, também são provisórios, e novamente me via recomeçar, novos amores, empregos, amizades…

Dores, dores. Sim, crescer dói. E veio a gravidez, as inseguranças, o fantasma do medo. Mas tudo correu bem, depois da pré-eclâpcia , parto prematuro de 27 semanas e meia , meu filho nasceu pequenino, mas saudável, 72 dias no hospital. Esse período foi o mais longo de espera e esperança, lágrimas incontidas. Só que o tempo e o medo passaram e voltei para casa feliz com meu filho nos braços. Não senti a dor do parto, mas quem vai negar que a cesariana dói, no primeiro dia, no segundo… na segunda semana, e às vezes, até no primeiro mês depois do parto.

É verdade, crescer dói. Mas não sentimos apenas dores, crescer também nos traz maturidade, serenidade, múltiplas alegrias.

E o tempo não para e continuou atropelando-me, sorvendo-me os dias, e a dor da perda do meu pai, trouxe-me as saudades da infância perdida, dos momentos felizes, a dor da perda trouxe-me a vontade desesperadora de voltar no tempo, de buscar o que nunca mais será possível, um abraço, uma palavra, uma voz longínqua que ecoa pela casa, uma risada sonora, inesquecível.

É, crescer dói, mas precisamos crescer e aprender com as perdas e ganhos como diz Lya Luft em seu livro que traz esse título. Crescer dói, mas precisamos ter coragem e perseverança para continuar a caminhada que nos foi presenteada por Deus: a vida.

0
Posted in Crônicas |