A Independência do Brasil

A Independência do Brasil

Por Mariza Simon dos Santos

A maré de inovações e mudanças que invadiu a Europa após a Revolução Francesa (1789) também teve u m efeito devastador na então colônia de Portugal- o Brasil. Era uma população analfabeta, isolada do mundo da época e controlada rigidamente. Manufaturas e indústria grafica eram proibidas , como também jornais. Não havia circulação de idéias. Uma minoria tinha acesso a livros e até mesmo réu niões eram vigiadas e proibidas. De cem brasileiros só saibam ler e escrever cerca de dez .

Publicações de pensadores europeus , com idéias libertárias eram trazidas da Europa, onde alguns privilegiados haviam estudado, e alimentavam as reuniões secretas, como as da maçonaria. A partir do século XVIII surgiriam revoltas derivadas do conflito de interesses entre a colônia e Portugal chamadas de nativistas pelo seu caráter local, tendo á frente brasileiros nativos; a Revolta dos Beckman 1684); a Guerra dos Emboabas (1707, Minas Gerais); a Guerra dos Mascates (1710, Pernambuco); a Revolta de Felipe dos Santos (1720, Minas Gerais). As mais separatistas foram a Inconfidência Mineira (Vila Rica, 1789) e a Conjuração Baiana (Salvador ,1798) que evidenciaram uma certa consciência da posição colonialista.

A possibilidade de tornar-se um país independente era muita remota. O isolamento e as rivalidades entre grupos pobres e analfabetos (90% ) e uma minoria rica e intelectualizada de um país à beira da falência, sem exércitos,navios,armas e munições,prenunciava uma longa e sangrenta guerra contra os portugueses. Mas o anseio de liberdade crescia numa pequena elite já existente. O retorno a Lisboa (abril1821) de D.João VI deixou o país despojado de seus bens financeiros,guardados no Banco do Brasil e no Tesouro Real.Seu filho D.Pedro I, como Príncipe Regente encontrou os cofres vazios. Ao manter a chama acesa da independência brasileira D.Pedro I apelou para empréstimos estrangeiros( quando nasceu nossa dívida) e pela valorização fitícia do dinheiro (gerando inflação). Somou-se-se a este quadro político graves problemas econômicos, já que a produção açucareira e a mineração de ouro e diamantes estavam em decadência, apesar do incremento da produção do algodão.Estava sur gindo um novo eixo econômico no vale do Paraíba com a produção do café, uma riqueza que se expandiu.

Após o “grito da Independência” ( concepção artística, visualizada e proclamada pela pintura de Pedro Américo- o quadro “Independência do Brasil”) iniciou-se definitivamente o processo de separação de Portugal. O Brasil se apresentava como um binômio: um Brasil transformado pela presença da Corte Portuguesa, com algumas milhares de pessoas com requintes de refinamento, alojadas num vilarejo modesto e colonial(Rio de Janeiro); contráriamente havia brasileiros espalhados por um vasto territorio quase desconhecido, isolados e ignorantes. Não haviam elos de ligação entre estes dois Brasis., a não ser a aversão ao trabalho manual , dependente da mão de obra escrava. A situação brasileira nos anos seguintes foi muito delicada e exigiu habilidade política,na tentativa de não fraccionar o território, a exemplo das colônias que se separavam da Espanha.A Bahia manteve-se fiel à Coroa Portuguesa e também o Maranhão, Piauí, o Pará e o Amazonas. Após inúmeros conflitos foram sufocadas as rebeliões nestas Províncias, instalando-se uma relativa acomodação ao status quo.

Já se passaram 500 anos da descoberta do Brasil e cerca de quase 200 anos de nossa libertação da Coroa Portuguesa. No entanto, ainda hoje observamos um país bipartido, com lugares de alto padrão intelectualizado e lugare e segmentos sociais de homens e mulheres analfabetos. Temos uma imensa juventude semi-alfabetizada e atrasada. Temos um Brasil multicultural e de extensa territorialidade mas convivendo entre abismos sócio-culturais. Ainda não tomamos consciência de nossas deficiências e atrasos neste século XXI. Não enfrentamos decisivamente nosso pior inimigo: a ignorância cultural e o semi-analfabetismo. Canalizamos nossos esforços econômicos e sociais nos segmentos universitários e formamos jovens despreparados para erguer e projetar nosso país.Que projeto teremos para este nosso País, senão pensarmos e prepararmos as multidões de crianças e jovens para um futuro tão próximo? Desta maneira faremos a verdadeira Independência deste Brasil tão rico, privilegiado por uma Natureza exuberante, que responderá generosamente aos nossos esforços. Precisamos concretizar a verdadeira independência de nosso país.

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